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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O presidente do Turismo de Portugal critica os critérios do Reino Unido para definir os corredores aéreos e diz que, mesmo com Portugal excluído, ainda há britânicos a passar férias cá.

O verão de 2020 está e vai ser marcado pelo reduzido número de turistas estrangeiros, dadas todas as restrições de viagens em vigor devido à pandemia. Essa é uma das maiores preocupações para o setor, mas o presidente do Turismo de Portugal diz que, antes disso, é importante voltar a dar confiança às pessoas para viajarem. Em conversa com o ECO para a rubrica “Dar a volta ao turismo”, Luís Araújo fala ainda na importância de recuperar a capacidade aérea, alertando que, no futuro, o turismo nacional tem de se preparar para uma concorrência “feroz” entre os vários destinos.

 

O “mercado interno é importante” para o turismo, reconhece Luís Araújo, embora saliente que o país vai “continuar a precisar do mercado externo”. Isto numa altura em que o número de turistas estrangeiros a vir para Portugal é bastante reduzido quando comparado aos demais anos, devido a todas as restrições de viagens que têm sido impostas pelos países. Exemplo disso é o Reino Unido, que deixou Portugal de fora da lista dos corredores aéreos. Com os critérios do Governo britânico o presidente do Turismo de Portugal não concorda, classificando-os de “pouco claros”. Ainda assim, diz, continua a haver turistas britânicos a vir passar férias em território nacional.

 

Para colmatar esta falta de turistas, foram várias as medidas já anunciadas pelo Turismo de Portugal e pelo próprio Governo, começando pelas linhas de crédito às empresas do setor. Até ao momento, revelou Luís Araújo, já foram dados “mais de 1.300 milhões de euros” em apoios às empresas do setor turístico, restando esperar pelo evoluir da situação pandémica para perceber se serão precisos mais reforços.

 

“Vacina não é a única solução para retomar confiança”

“Antes de faltarem turistas, falta confiança em viajar”, diz o Presidente do Turismo de Portugal, salientando a importância de recuperar essa confiança. Uma vez recuperada essa confiança — tanto do lado dos turistas como do lado das empresas — é necessário recuperar a capacidade aérea que o país tinha antes da pandemia e aí sim, é necessários que os turistas venham. “A vacina não é a única solução para retomarmos a confiança”, aponta.

 

Sobre a fórmula para recuperar essa confiança, Luís Araújo nota que, mesmo em tempos de pandemia, é possível “passar férias normalmente” e “ter a melhor experiência dentro do território nacional”, desde que com os devidos cuidados. Por enquanto tudo aponta que 2020 será um ano com quebras “significativas”, mas o responsável salienta que tudo está a ser feito para que a recuperação seja “o mais rápida possível”.

 

Empresas já receberam mais de 1.300 milhões em apoios

Luís Araújo defende que as medidas adotadas desde o início para apoiar as empresas afetadas pela pandemia foram “muito eficazes”. E “não só aquelas [medidas] que foram preparadas especificamente para o setor do turismo”, diz o responsável.

 

Foram criadas várias linhas de financiamento, que acabaram por ser reforçadas e, até ao momento, adiantou o presidente do Turismo de Portugal, já foram concedidos mais de 1.300 milhões de euros em apoios. Agora resta esperar pelo evoluir da situação, tendo em conta que há demasiados fatores que não podem ser controlados, nota.

 

Mas, no que está ao alcance do Governo e do Turismo de Portugal, diz, tudo está a ser feito. “Temos reuniões semanais com quase todas as companhias aéreas para avaliar esta evolução dentro do país”, diz Luís Araújo, referindo que “o facto de em agosto termos 55 a 60% da capacidade aérea já é extremamente positivo” e isso é um sinal positivo para as empresas. “O nosso grande objetivo é recuperar a capacidade aérea que tínhamos nos anos anteriores, o mais depressa possível”, acrescenta.

 

“Espero que a situação seja revertida, mas depende do Reino Unido”

Sobre uma das notícias que mais tem abalado o turismo — a exclusão de Portugal da lista de corredores aéreos do Reino Unido — o presidente do Turismo de Portugal nota que “continua a haver procura por parte do Reino Unido para Portugal” e que, embora não seja a capacidade desejada, Portugal “continua a despertar curiosidade” e isso é positivo. Luís Araújo sublinha a importância de os critérios serem “claros e transparentes”, criticando a decisão do Governo britânico. “Espero que a situação seja revertida, mas não depende de nós. Depende do Reino Unido”, afirma.

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