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O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, voltou a insistir na necessidade de se obter esta terça-feira um acordo político dos ministros do Eurogrupo para o lançamento de um fundo para financiar o pós-crise pandémica, que deveria envolver 2% a 3% do PIB da União Europeia.

A França não desarma em relação à necessidade de um acordo no Eurogrupo que vá para além das medidas de curto prazo em torno das quais Mário Centeno procura um consenso esta terça-feira na reunião por videoconferência que se deverá iniciar pelas 14 horas (hora de Portugal).

 

O ministro das Finanças gaulês, Bruno Le Maire, voltou a insistir que os ministros das Finanças do euro deveriam acordar num Fundo Europeu de solidariedade para o financiamento da fase pós-pandemia envolvendo um montante equivalente a 2% ou 3% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia. O que equivaleria a um envelope de "solidariedade" entre 280 e 420 mil milhões de euros.

 

Na sequência da entrevista que deu na semana passada ao jornal Financial Times e da conferência de imprensa realizada em Paris, Le Maire veio à France 2 recordar que não podem ser tomadas apenas medidas de curto prazo - em torno dos "três pilares" para os quais Centeno, como presidente do Eurogrupo, está a tentar reunir consenso esta terça-feira.

 

Recorde-se que os três pilares são o lançamento de uma linha especial cautelar do Mecanismo Europeu de Estabilidade (que permitiria aos países membros recorrer a empréstimos até 2% do PIB respetivo), com condições (e aqui os detalhes são críticos para poder desarmar a oposição de Itália e de Espanha), uma nova linha de crédito sobretudo para PME por parte do Banco Europeu de Investimento, e uma linha da Comissão Europeia para financiar as medidas que têm permitido os lay off. Ao todo, os três pilares envolveriam €540 mil milhões de euros.

 

Le Maire diz que é preciso um "quarto pilar", um Fundo para depois da crise pandémica, a acordar politicamente já. Caso não seja demonstrada "solidariedade" de médio e longo prazo já nesta fase, a União "explodirá", sublinhou o ministro na France 2.

 

Esse Fundo deveria financiar-se em nome da Comissão Europeia nos mercados emitindo dívida (que, na realidade. seria comum) e emprestaria aos países membros por "um tempo limitado, com maturidades a 5 ou 10 anos, e só para financiar despesas de investimento" associadas à retoma da pandemia. "Não se trata de mutualizar dívida do passado", referiu Le Maire, tranquilizando a oposição aos coronabonds, que vê nestes instrumentos novos a abertura de uma caixa de Pandora para mutualizar os países sobreendividados (com um nível de dívida próximo ou mais de 100% do PIB) do euro.

 

Segundo media espanhóis e franceses, a posição francesa teria o apoio dos restantes oito países signatários da carta enviada em 25 de março a Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, dos 9 chefes de governo e de estado (incluindo António Costa), em defesa dos chamados coronabonds. Entretanto o grupo socialista no Parlamento Europeu e os eurodeputados portugueses do PSD apoiaram a necessidade de um instrumento de mutualização desta nova dívida para fazer face aos efeitos da pandemia do coronavírus.

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