NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A Moody’s tem agendada uma avaliação à notação da dívida soberana portuguesa esta sexta-feira. A agência poderá querer alinhar-se com a S&P e a Fitch através de uma subida de um grau para ‘Baa2’, mas as incertezas que estão a esfriar o crescimento da economia global poderão ser motivo para manter o ‘status quo’.

As noites de divulgação de relatórios das agências sobre a notação da dívida da República oferecem sensações variadas aos que estão atentos. Podem ir da depressão, por exemplo quando em julho de 2001 a Moody’s tornou-se na primeira a atirar o rating soberano para o ‘lixo’, até à surpresa positiva como a de setembro de 2017, quando a Standard & Poor’s retirou a notação desse patamar.

 

Pelo meio há as que podem ser consideradas como um zero sum, com as agências a manterem tudo inalterado e a explicarem o equilíbrio de riscos. Pior ainda, por vezes nem sequer produzem relatórios e simplesmente atualizam o calendário, um ‘anti-clímax’ que aponta para a próxima oportunidade de revisão. Foi o que aconteceu com a Moody’s em fevereiro deste ano. A agência tem calendarizada para esta sexta-feira uma avaliação e os analistas prevêem ou a manutenção do status quo(notação em Baa3 e perspetiva estável) ou uma ligeira subida no rating.

 

“As datas pré-definidas para apresentação de análises à notação de crédito são janelas de oportunidade que as agências de rating definem caso pretendam efetuar atualizações às suas perspetivas de risco de crédito dos emitentes”, afirmou Mário Carvalho Fernandes, diretor de Investimentos do Banco Carregosa.

 

Salientou que “as baixas taxas de juro a que os governos europeus têm conseguido emitir dívida e a expectativa de manutenção de uma política monetária acomodatícia reforçam uma perspetiva mais positiva”. Carvalho Fernandes alerta, no entanto, que “o elevado nível de dívida e um possível abrandamento da economia global contrabalançam esses aspetos, pelo que não será expetável uma alteração significativa da notação creditícia por parte da agência de rating“.

 

David Silva, analista da corretora Infinox, referiu que a queda dos juros da dívida portuguesa a 10 anos no mercado secundário (de 145 pontos base desde o início de 2018 para estabelecer um ovo recorde mínimo de 0,263% esta terça-feira) demonstra que esse ativo, tal como os equivalentes na Europa já são vistos como “refúgios”, mas concorda que esse aspecto positivo não deverá compensar as incertezas externas.

 

“Apesar de Portugal ter registado uma melhoria económica nos últimos meses, o ratingportuguês deverá manter-se inalterado, dado que o panorama de possível abrandamento económico não favorece a economia portuguesa, que regista uma perspetiva de crescimento de 1.4% até 2024 segundo o FMI”, salientou.

 

Moody’s poderá querer ficar em linha

 

Filipe Garcia, economista e presidente da consultora IMF-Informação de Mercados Financeiros, vê, no entanto, espaço para uma notícia positiva esta sexta-feira.

 

“Não me surpreenderia se a Moody’s pudesse subir para Baa2, com base da queda acentuada dos juros da dívida em mercado secundário e tendo em conta o alargamento das maturidades no perfil da dívida pública portuguesa”, explicou.

 

“Naturalmente, a Moody’s poderá justificar a manutenção do rating com vários riscos, mas a subida para Baa2 faria sentido”.

 

Entre esses riscos, Garcia elencou a desaceleração económica mundial e europeia em particular, a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o rácio dívida/PIB ainda muito elevado, a vulnerabilidade do país à desaceleração externa e o facto de o país realizar eleições legislativas em outubro. Do lado positivo, e que poderão levar à subida do rating, estão o facto de Portugal ter já o financiamento já garantido para 2019, a redução do défice público e dos rácios de dívida e as perspetivas de mais medidas expansionistas por parte do Banco Central Europeu.

 

Mário Carvalho Fernandes, do Banco Carregosa, explicou que as três principais agências estão, de forma geral, alinhadas na avaliação a Portugal, no patamar do lower medium grade, com a S&P e a Fitch a atribuírem notações de ‘BBB’.

 

Filipe Garcia sublinhou que entre as três, é mesmo a Moody’s que atribui o rating mais baixo, ainda que de forma ligeira (um grau). “Uma subida colocaria a Moody’s a par das restantes agências de notação”, vincou.

Partilhar