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CABEÇALHO

Com o fim do período de férias na Europa, tornou-se claro que a covid-19 teve um impacto significativo no sector do turismo, após décadas de crescimento constante.

As medidas para conter a propagação do coronavírus, incluindo restrições de mobilidade e proibições de viagens, reduziram os fluxos turísticos. Mesmo depois de as restrições de viagem já terem sido aliviadas em alguns países, o medo de viajar pode prolongar-se por mais tempo, o que pode ser crucial para a Europa, uma vez que o sector turístico é uma fonte importante de rendimento e de emprego, afirma a DBRS Morningstar, agência de notação de crédito, em comunicado de imprensa.

 

A agência avaliou factores relacionados com viagens e turismo estrangeiro que ajudam a interpretar o impacto da situação actual nos países individuais da zona euro. Os resultados indicam que as economias do sul da Europa, como a Grécia, Chipre, Malta, Portugal, Espanha e Itália – respectivamente – são mais vulneráveis à recessão do turismo. Pelo contrário, a Alemanha, Bélgica, Finlândia, França e Eslováquia são as menos frágeis, de acordo com as métricas seleccionadas.

 

“A elevada dependência do sector das viagens e turismo, e as repercussões para as economias mais vastas dos países do Sul da Europa podem contribuir para uma recuperação desigual na zona euro, mesmo quando as economias continuam a abrir-se”, indica o vice-presidente da DBRS Morningstar, Javier Rouillet, citado em comunicado.

 

Desta forma, os danos para o sector podem ser mais graves para os países com maior dependência do turismo estrangeiro, como é o caso de Portugal.

 

O recente pico de casos na Europa desencorajou as esperanças de uma forte recuperação no Verão e aumenta a incerteza para o quarto trimestre do ano.

 

“Dependendo da evolução do vírus, as perspectivas para o próximo ano podem também ser severamente afectadas. Factores como o ambiente empresarial, infra-estruturas de transportes e de serviços turísticos, ofertas naturais e culturais, segurança e protecção e competitividade de preços poderão ser importantes para facilitar a recuperação na indústria do turismo”, afirma o vice-presidente assistente da agência, Spyridoula Tzima.

 

O impacto final depende então da evolução da pandemia, da imposição de restrições, e de políticas governamentais para aliviar o impacto da pandemia. As medidas de apoio do governo têm desempenhado um papel significativo na mitigação do impacto a curto prazo.

 

“O sector do turismo poderá sofrer danos mais duradouros, resultando no encerramento de algumas empresas e na perda de mais postos de trabalho. Neste caso, a mão-de-obra terá provavelmente de ser reafectada em toda a economia, aumentando a importância de políticas activas de mercado de trabalho e de formação eficazes para ajudar à reabsorção da mão-de-obra”, disse ainda o vice-presidente da DBRS Morningstar.

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