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CABEÇALHO

Índice alimentar da FAO recuou em Fevereiro, pela primeira vez em quatro meses. Quebra nas compras da Índia e na China, sob expectativa de abrandamento da economia mundial, influenciaram resultado global.

Depois de estar a subir consecutivamente desde Outubro de 2019, o índice alimentar da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura registou uma quebra de 1% em Fevereiro, para 180,5 pontos, face ao primeiro mês deste ano.

 

Ainda assim, o índice que monitoriza as matérias-primas agrícolas mais transaccionadas do mundo está 8,1% acima do desempenho de há um ano.

 

O registo mensal do índice da FAO – uma média de preços de cinco grupos de matérias-primas agrícolas, incluindo carne, lacticínios, cereais, óleos vegetais e açúcar - está aos mesmos níveis do final de 2014 (que terminou com a média anual de 201,8 pontos). O valor mais alto que o indicador de preços alimentares da FAO atingiu desde 2002, recorde-se, foi durante a crise alimentar de 2011 (quando índice se elevou aos 229,9 pontos).

 

Em Fevereiro, o recuo de 1% sentido foi sobretudo devido à “queda abrupta dos preços de exportação de óleos vegetais, parcialmente justificada pelo receio que o surto do novo coronavírus (Covid-19) irá abrandar a procura global”. E, em menor grau, explica a organização, a uma descida do valor da carne e cereais, que anularam os efeitos contrários da subida dos dois indicadores relativos aos lacticínios e ao açúcar.

 

O índice da FAO para os óleos vegetais atingiu 158,1 pontos em Fevereiro, uma queda de 18,2 pontos ou 10,3% face a Janeiro deste ano e “interrompendo a tendência ascendente registada desde Julho de 2019”, explicou esta quinta-feira a FAO em comunicado. A “forte queda”, acrescenta a organização das Nações Unidas, “foi liderada pelo óleo de palma - o componente dominante do índice” de óleos vegetais da instituição.

 

A cotação internacional do óleo de palma nos mercados internacionais caiu 12% face ao mês anterior devido a “uma produção acima do esperado na Malásia, uma queda temporária nas importações da Índia e com os receios de um abrandamento da procura mundial na sequência da expansão do novo coronavírus”.

 

Os óleos de soja, girassol e de colza “acompanharam de perto a queda de preços do óleo de palma”. No caso da soja, os mercados estão também a reflectir o efeito de antecipação de inventários acima doo esperado nos EUA.

 

No indicador referente à carne, o índice recuou 2% (ou 3,7 pontos), para 178,6 pontos em Fevereiro, face a Janeiro, pelo segundo mês consecutivo, quando nos 11 meses anteriores tinha tido “aumentos moderados”. Face a um ano antes, o índice de preços da carne está 9,8% acima.

 

Em Fevereiro, analisa a FAO, os preços internacionais de carne ovina recuaram mais, seguidos da carne bovina, “devido essencialmente à redução de importações da China, reflectindo atrasos na gestão logística nos portos, que, por sua vez, levaram à acumulação de stocks na maior parte dos países exportadores”.

 

O índice de preços da FAO para os lacticínios aumentou 9,2 pontos, ou 4,6%, em Fevereiro, para 209,8 pontos, entre Janeiro e Fevereiro passados. Foi a quarta secessão de alta de preços mensal, o que leva este indicador para um patamar 9% acima de há um ano. “Em Fevereiro a cotação de preços de queijo dispararam 10,6%” prejudicadas por menor produção de leite na Nova Zelândia e Austrália.

 

Em sentido contrário, a cotação do leite em pó (magro e inteiro) recuaram nos mercados internacionais devido ao “abrandamento das compras pela China - o maior importador mundial de leite em pó” - devido a atrasos no transporte e logística nos portos de embarque “afectados pelo alastrar do novo coronavírus”.

 

Nos cereais, o índice recuou 0,9%, com os preços internacionais da maioria dos cereais com maior peso a recuar, com excepção do arroz, impulsionado por uma procura mais forte do extremo Oriente e de compradores da África Oriental.

 

Os preços internacionais do trigo foram mais baixos, “reflectindo mercados bem abastecidos, enquanto os de milho recuaram, influenciados pela diminuição da procura do sector de ração de animais”, a antecipar “um enfraquecimento da economia global”.

 

O índice que mede a evolução das cotações internacionais do açúcar registou, em sentido contrário, um aumento de 4,5%. O desempenho é resultado da estimativa de uma “produção mais baixa na Índia e na Tailândia”, que ocorre em contexto de “forte procura global”.

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