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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A CEO do departamento de Leasing Solutions do BNP Paribas, Charlotte Dennery, explica como o financiamento de leasing tem um papel ativo na economia circular. Além disso, numa altura em que os millennials chegam em peso ao mercado de trabalho, promover iniciativas de responsabilidade social ajudam a reter talento. E, no futuro, será uma questão de sobrevivência.

Os críticos do capitalismo colocam-no debaixo de fogo pelos excessos que comete. Uns culpam-no pelo consumo desenfreado a que dá azo, outros condenam a produção excessiva que origina e outros criticam-no pela exploração excessiva de recursos naturais. Além disso, o capitalismo tem assentado na chamada economia linear, que se caracteriza pelo consumo dos produtos ou recursos até ao fim da respectiva vida útil. No entanto, têm surgido vozes ativas na defesa da economia circular como alternativa à economia linear.

 

Em Portugal, o presidente do conselho de administração do Crédito Agrícola, Licínio Pina, já defendeu a economia circular não só na banca, mas também no âmbito da política nacional. De forma simples, a economia circular atribuiu valor a um produto no fim de vida. Além do presidente do Crédito agrícola, outros exemplos abundam, mas nem todos provêm da banca. Mas, a CEO da Leasing Solutions do BNP Paribas, Charlotte Dennery, gere um departamento do banco francês que promove a economia circular, não só em Portugal, mas também nos 18 países em que está presente, que estendem da Europa até à Ásia, passando pela América do Norte.

 

“No fim do contrato de leasing, os ativos, que foram o objeto do contrato, ou têm um ‘valor zero’, ou têm um valor residual”, explicou Charlotte Dennery. “O mais interessante consiste em encontrar formas que devolvam valor aos ativos contratados [e usados], o que pode ser alcançado através da venda em segunda-mão”, afirmou. “Neste âmbito, estamos a falar de remarketing, que é precisamente a venda em segunda-mão do ativo”.

 

A experiência na venda de ativos em segunda-mão da área de leasing do BNP Paribas surgiu depois da crise financeira de 2008, explicou a CEO. “Ficámos donos de muitos ativos usados na construção que ficaram [presos] no nosso balanço em resultado de algumas litigâncias”, disse. “Por isso, desenvolvemos a atividade que consiste precisamente em revender esses ativos”. É positivo porque, no final do dia, “isto é um passo na direção da economia circular porque estende a vida do ativo”, reconheceu Charlotte Dennery.

 

O departamento de Leasing Solutions do banco francês não se cinge apenas em fazer contratos de leasing sobre ativos pesados usados na construção. Com um modelo de negócio completo, o departamento liderado por Charlotte Dennery oferece soluções em diversas áreas, que vão desde a agricultura, a equipamentos de escritórios e até gadgets mais pequenos. “Dentro da área da tecnologia, também financiamos sistemas de telecomunicações e software”, explicou a CEO.

No futuro, o objetivo será alargar para a medicina. “Estamos a falar dos equipamentos que se vêem nos hospitais ou nos consultórios dentistas”, afirmou.

 

A expansão do negócio ultrapassa as áreas de atuação e, em alguns mercados, passará pelo crescimento do volume de vendas que, atualmente, no mundo inteiro, já ascende aos 12 mil milhões de euros. Charlotte Dennery vê no mercado português o “potencial” para crescer. “Há mercados mais maduros que o português”, garantiu, mas “por isso, o mercado português tem muitas oportunidades”. Além disso, a CEO frisou que tem “parceiros globais que ainda não estão presentes em Portugal e estamos a desenvolver esforços para os trazer para cá”.

 

Em Portugal, a operação da Leasing Solutions do BNP Paribas, que se iniciou em 2002, tem registado resultados positivos. Com cerca de 220 milhões de euros em ativos sob gestão, ainda há espaço para crescer. “Fiz um plano até 2020 e dei à minha equipa objetivos muito ambiciosos”, confessou Charlotte Dennery. “Eu espero continuar a crescer entre 20% a 25% por ano”, disse.

 

A operação portuguesa da Leasing Solutions vai além da vertente negocial e assume-se socialmente responsável. O grupo desenvolveu, no país, a iniciativa “Yes We Plant” (traduzido para o português, “Sim Nós Plantamos”), que visou contribuiu para o objetivo anunciado pelo Governo de alcançar a neutralidade carbónica até 2050. Para tal, foram plantadas 4.600 árvores em 3,5 hectares, tendo participado 229 voluntários, ao longo de três dias.

 

Iniciativas como esta, que se inserem na responsabilidade social da empresa, são cada vez mais importantes, salientou a CEO. Internamente, numa altura em que os millennials querem criar um impacto, a responsabilidade social tornou-se numa arma importante para reter talento. “Caso contrário, sem um impacto, eles vão-se embora ao fim de dois anos”, reconheceu Charlotte Dennery.

 

Mas a responsabilidade social também é vital para a sobrevivência a longo-prazo de qualquer empresa e não apenas do BNP Paribas. “Cada vez mais empresas promoverem a responsabilidade social”, assumiu. Para a CEO, “a indústria bancária e os serviços financeiras têm de estar presente para conseguirem acompanhar a transformação da economia global em direção à responsabilidade social”. Senão, “se não estivermos já a promover estas iniciativas,  não as faremos daqui a 50 anos, quando as iniciativas de responsabilidade social das empresas representarem 100% das atividades das empresas”, reconheceu Charlotte Dennery.

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