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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

"O sector depara-se com sucessivos adiamentos e cancelamento de encomendas por parte dos clientes, que em alguns casos não chegam a pagar encomendas já recebidas", diz o sector.

A indústria têxtil entrou em alerta vermelho. Um inquérito da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) mostra que 59% dos dos empresários espera ter, já no mês de abril, uma redução superior a 50% no seu volume de negócios e 26% prevê uma redução entre 30% a 50%.

 

"O sector depara-se com sucessivos adiamentos e cancelamento de encomendas por parte dos clientes, que em alguns casos não chegam a pagar encomendas já recebidas", afirma Mário Jorge Machado, presidente da ATP.

 

Este quadro, acrescenta, tem "um profundo impacto ao nível dos recebimentos e das receitas, sobretudo num cenário onde os custos fixos permanecem, com especial destaque os salários dos trabalhadores, que poderão estar em risco a curto prazo".

 

Numa indústria estratégica para a economia portuguesa, a ATP adverte que "sem o acautelamento dos rendimentos dos trabalhadores a retoma adivinha-se muito difícil".

 

Na atua conjuntura, atendendo a que 82% das exportações de têxteis e vestuário em Portugal se destinam ao mercado europeu e os restantes 18% são exportados para o mercado extraeuropeu, "a indústria têxtil e vestuário e os 7.7 mil milhões euros por ano por ela gerados encontram-se agora fortemente ameaçados", sublinha o dirigente associativo e empresário.

 

Insiste, assim, na "urgência da regulamentação do processo de aplicação dolay-offsimplificado, reivindicado junto do governo há 15 dias". " Este mecanismo fundamental quer-se imediatamente disponível e operacional para permitir a sobrevivência das empresas", argumenta.

 

E concretiza: o período de demonstração de quebra de rendimentos da empresa tem de ser o mais curto possível, a demonstração da quebra tem que poder ser feita através da evidenciação simples de que não há encomendas futuras.

 

Mais: "Solicita-se a moratória dos pagamentos devidos e sem registo de incumprimento, bem como a diluição ao longo de quatro ou cinco anos do correspondente pagamento, para evitar o estrangulamento de tesouraria no momento da retoma da atividade".

 

"É este momento, em que as empresas e os trabalhadores precisam de medidas e respostas rápidas e eficazes, que a burocracia poderá deitar tudo a perder e , por isso "o financiamento previsto terá de facto de chegar às empresas que realmente precisam".

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