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Empresa de metalomecânica com 60 anos foi adquirida há meio ano pela Sonae Capital cumprindo "o sonho do engenheiro Belmiro de Azevedo".

A Adira, empresa do setor metalomecânico atualmente sedeada em Vila Nova de Gaia, faturou 15 milhões de euros em 2017, dos quais 70% correspondem em exportações, mas tem planos para chegar aos 25 milhões de euros nos próximos cinco anos.

 

A estratégia está a cargo de Francisco Norton Barbosa, o diretor geral que tomou posse logo após a aquisição da empresa, em julho deste ano, pela Sonae Capital. “A aquisição corresponde a um sonho antigo do engenheiro Belmiro de Azevedo, que sempre quis apostar na indústria exportadora portuguesa”, revelou o novo diretor geral, que valoriza o património de 60 anos da empresa que nasceu e cresceu durante 50 anos com a família Dias Ramos, tendo passado a última década com a família do anterior CEO, António Cardoso Pinto.

 

“É uma mais-valia termos pessoal com muitos anos de casa, ainda que tenhamos de começar a procurar alguma renovação e isso não seja fácil, porque há falta de serralheiros, soldadores e operadores de máquinas qualificados”, adiantou. A empresa está a recrutar 20 funcionários, que se somarão aos atuais 120 durante 2018.

 

Os principais mercados de exportação das quinadoras e guilhotinas de chapa de aço, máquinas de corte a laser e da nova linha de AM (impressão 3D) produzidas na Adira são os EUA, França, Espanha e Portugal. O produto diferenciador é a “única impressora 3D no Mundo em aço”, capaz de produzir peças de um metro cúbico de dimensão.

 

“A indústria aerospacial e aeronáutica são as mais interessadas nesta tecnologia, porque precisam muitas vezes e com muita rapidez de peças únicas e muito específicas a que a indústria convencional não consegue dar resposta”, adiantou Norton Barbosa.

 

Tal como noutros setores, na metalomecânica Portugal consegue afirmar-se face à concorrência na capacidade de produção de pequenas séries em curtos espaços de tempo, com inovação qb para fazer face aos maiores players mundiais: a Alemanha.

 

“A nossa engenharia é cada vez mais competitiva, porque estamos ao nível da Alemanha e conseguimos ser mais competitivos, sem chegarmos ao valor baixo dos turcos”, explicou o responsável. Para Francisco Norton Barbosa, o grande desafio de futuro do setor metalomecânico será “manter a inovação, mas conseguir transformá-la em negócio”, o que nem sempre sucedeu no passado.

 

“A Adira sempre foi uma empresa muito inovadora, mas algumas inovações não foram convertidas em negócios”, justificou.

 

Outras, foram inovações propostas pelos “problemas dos clientes que precisavam de solução” e transformaram-se em ofertas fortes da empresa, como é o caso dos sistemas que integram robots e máquinas tradicionais.

 

Por outro lado, a prestação de serviços será “a grande oportunidade de futuro para o setor”, o que exigirá à Adira estar “localmente presente, perto do clientes” e implicará, a breve prazo, a expansão dos locais em que a empresa nortenha está presente no Mundo.

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