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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Numa clara trajetória ascendente, o comércio online no nosso país deverá ultrapassar os 150 milhões de euros até 2025.

O comércio eletrónico em Portugal, contemplando as três principais vertentes, nomeadamente o B2B (Business to Business), B2G (Business to Goverment) e B2C (Business to Consumer), cresceu “significativamente” ao longo do ano de 2018, tendo alcançado os 87,5 mil milhões de euros, representando já mais de 44% do Produto Interno Bruto (PIB). Numa clara trajetória ascendente, o comércio online no nosso país deverá ultrapassar os 150 milhões de euros até 2025.

 

Estes números constam das principais conclusões da edição deste ano do estudo “Economia e Sociedade Digital em Portugal”, desenvolvido pelo ACEPI – Associação da Economia Digital em parceria com a IDC, especialista internacional em market intelligence para os mercados das Tecnologias de Informação e Transformação Digital, apresentados esta terça-feira, dia 15,

 

Especificamente sobre a evolução das vertentes empresarial e estatal (B2B e B2G) em 2018, destaca-se o crescimento para os 82 mil milhões de euros, valendo agora mais de 41% do PIB.

 

Atendendo a que a associação já recolhe esta informação há uma década, Alexandre Nilo Fonseca, presidente da direção da ACEPI, reforça, em declarações ao Jornal Económico, que os números alcançados particularmente no B2G são de destacar já que é uma realidade sem comparação na Europa: “Nesta matéria, Portugal, em 2009, foi mesmo pioneiro. Porque foi o primeiro país a adotar o formato de compras públicas eletrónicas de forma mandatória. Desde então, o Estado é obrigado, dentro de determinados tipo de parâmetros e englobando praticamente tudo aquilo que precisa, a comprar eletronicamente. O processo é totalmente eletrónico: desde o momento da apresentação de propostas, passando pela sua análise, até à tomada de decisão, tudo é feito através de portais eletrónicos. Esta é, de facto, uma das componentes importantes que nos faz chegar a este montante tão relevante”, afirma o responsável.

 

No que concerne ao mundo empresarial, num contexto português com 95% das empresas de dimensão micro, fala ainda de um momento de ‘turning point’ em que as organizações enfrentam um cenário em que, sem orçamento e sem pessoas devidamente qualificadas, não podem deixar de implementar a transformação digital.

 

Com base num inquérito feito às mil empresas de grande dimensão com atividade em Portugal, este estudo adianta que 75% destas empresas têm iniciativas de transformação digital em curso com estratégias e lideranças bem definidas, sendo que, com esta transformação, esperam alcançar benefícios na inovação de produtos e serviços (74%), na melhoria dos níveis de lealdade e relacionamento com os seus clientes (56%), no aumento das suas receitas (40%), no incremento da sua reputação e reconhecimento (29%), numa maior rapidez dos processos de inovação (27%), no acesso a novos mercados, segmentos de negócio e geografias (26%), no aumento da atração e retenção dos recursos humanos (16%), e no desenvolvimento da inovação no marketing (12%).

 

Por outro lado, as empresas portuguesas identificam como principais barreiras à transformação digital não possuírem os recursos humanos adequados (64%); os elevados custos envolvidos (62%); a ausência de definição de prioridades (41%) e a falta de conhecimento tecnológico (36%).

 

O estudo apurou ainda que as 10 principais tecnologias que estão a ser implementadas pelas empresas portuguesas são a Cibersegurança (78%); Cloud Computing (74%), Big Data e Analitics (60%); Inteligência Artificial (40%); IoT (42%); Robótica (31%); Realidade Aumentada (18%); e Blockchain (15%).

 

Defendendo que a tendência é “claramente para aumentar” em todas as frentes, Nilo Fonseca não deixa de sublinhar o crescimento para os 5,5 milhões de euros na vertente do consumidor (B2C) em 2018, um valor que se traduz em aproximadamente 3% do PIB. Neste campo, foi possível apurar que em 2018 quase 50% dos utilizadores de internet fizeram compras online, tendo gasto perto de 5 mil milhões de euros. E as estimativas indicam que até 2025 este valor possa atingir os 9 mil milhões de euros e que mais de 7 milhões de portugueses venham a fazer compras online. Sendo de destacar que a maioria dos portugueses já utiliza a Internet para consultar produtos, serviços e preços.

 

China lidera na hora dos portugueses comprarem

 

Na última década, a percentagem de utilizadores da Internet a nível mundial passou de um quarto da população para mais de 50% em 2018. Em Portugal, em 2008 a percentagem de utilizadores estava abaixo dos 50%, e o ano passado, este valor subiu para cerca de 80%. As previsões apontam para que nos próximos 10 anos a utilização da Internet a nível mundial venha a ultrapassar os dois terços da população, “com Portugal, previsivelmente, a atingir quase os 100%”, adianta o presidente da direção da ACEPI.

 

Em 2018, a penetração da internet em Portugal esteve em linha com o resto da Europa situando-se em 75%, com a China a revelar-se o país onde 67% dos portugueses preferem fazer as suas compras online. Seguem-se a Espanha (46%), Reino Unido (38%), EUA (26%), Alemanha (16%), outros países europeus (13%) e o Brasil (6%). No total, 70% dos portugueses recorre a site estrangeiros para compras online.

 

As três categorias de serviços mais comprados online pelos portugueses são: Alojamento (57%); Viagens (44%); Entretenimento (37%).

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