Esta posição foi defendida por António Costa no encerramento da sessão de abertura de um seminário empresarial luso-marroquino, em Rabat, que antecedeu a conclusão da 13.ª Cimeira entre os dois países.
"Para Portugal, Marrocos é o país onde começa a África. Para Marrocos, Portugal é o país onde começa a Europa. A capital mais próxima de Lisboa é Rabat", disse, numa referência à proximidade geográfica dos dois países.
Na sua intervenção feita em francês, António Costa salientou a presença atual de mais de 300 empresas nacionais no mercado marroquino, que no seu conjunto geraram dois mil postos de trabalho.
Em termos de planos a curto prazo, o primeiro-ministro referiu-se às perspetivas de arranque da construção de um cabo de ligação elétrica com 220 quilómetros entre Tavira e Tânger no primeiro semestre de 2018 - projeto avaliado entre 500 e 700 milhões de euros.
"É um projeto essencial para a segurança energética dos dois países, mas é também importante do ponto de vista simbólico sobre a nossa proximidade em diferentes níveis", sustentou o líder do executivo português.
António Costa defendeu ainda que a cooperação económica entre os dois países pode aumentar mais, referindo então que há empresas portuguesas especializadas que "poderão ser úteis" a Marrocos em domínios como o ambiente, a energia, o turismo, a fileira automóvel, o têxtil, a indústria farmacêutica e na área das tecnologias de informação em comunicação, visando, em particular, a modernização administrativa do setor público e de serviços de firmas privadas.
Antes, o presidente da Agência para a Internacionalização do Comércio Externo de Portugal (AICEP), Luís Castro Henriques, num discurso também em francês, tinha feito referências "às elevadas potencialidades do mercado marroquino pela proximidade geográfica e cultural dos dois países".
"Marrocos é o décimo destino das exportações portuguesas e estão a ganhar importância as parcerias entre empresas dos dois países em mercados terceiros. Marrocos pode beneficiar com o conhecimento e a experiência das empresas portuguesas", advogou Luís Castro Henriques.
Já o primeiro-ministro marroquino, Saadeddine El Othmani, depois de ter usado o árabe no final do seu encontro a sós com António Costa na segunda-feira, hoje, pela segunda vez, voltou a optar por falar nesta língua, numa conferência em que grande parte dos portugueses não teve acesso a qualquer tradução.