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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

As exportações portuguesas engordaram 19 mil milhões de euros numa década. As vendas ao exterior aumentaram em todas as categorias de bens, mas mais numas do que noutras. O Negócios fez a comparação para atestar se a crise afetou a estrutura das exportações.

As exportações de bens aumentaram 49% nos últimos dez anos, atingindo os 57,9 mil milhões de euros em 2018. A evolução das vendas ao exterior é dada como a grande transformação da economia portuguesa durante a crise. O crescimento foi generalizado, mas há categorias que se destacam.


Comparando a fotografia de 2008 com a de 2018, a conclusão a tirar é que não há nenhuma mudança radical na composição das exportações quando se olha para as grandes categorias de bens.


Os fornecimentos industriais e as máquinas perderam peso no total das exportações de bens ao passo que os combustíveis, o material de transporte e os produtos alimentares ganharam espaço.


Afunilando a análise, há diferenças que sobressaem. Avenda de carros ao exterior ganhou protagonismo, assim como avenda de alimentos, de borracha e de produtos petrolíferos refinados. Já avenda de máquinas, vestuário e têxtil e petróleo bruto perderam peso.


Onde também se nota uma evolução é no peso dos bens de alta tecnologia nas exportações. Em 2011, ano em que começa a série estatística, apenas 3% dos bens exportados tinham alta tecnologia. Em 2018, o peso aumentou para 4%.


Recorde-se que estes números revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na passada sexta- feira não estão deflacionados, ou seja, não descontam o efeito da variação dos preços. Tal pode implicar que, em alguns casos, esta descida ou subida poderá ser resultado da diminuição ou do aumento dos preços.


Além disso, estes dados referem-se apenas ao comércio internacional de bens, do qual ficam excluídos os serviços (onde se destacam as exportações de turismo).

Carros carregam no acelerador


As vendas de carros ao exterior subiram 80% nos últimos dez anos, mas 2018 é responsável por grande parte desse aumento. O setor alcançou um nível recorde de produção no ano passado. No total foram exportados 285 mil automóveis (97% da produção é exportada).


A evolução foi de tal forma expressiva que o material de transporte (maioritariamente automóveis) quase ultrapassou o peso das máquinas e aparelhos: 14,3% e 14,1%, respetivamente. Caso ultrapassassem, numa das óticas possíveis de desagregação, os carros passariam a ser os que mais pesam nas exportações.


O desempenho do setor automóvel decorre da produção da Autoeuropa em Palmela e da PSA de Mangualde. Os principais destinos são Alemanha - a Autoeuropa é uma fábrica da Volkswagen - e França (a PSAé francesa). A restante produção é vendida para Itália, onde as exportações de carros dispararam, para o Reino Unido e para Espanha.

Angola perde peso


Os principais parceiros comerciais de Portugal mantiveram-se quase inalterados durante esta década. A exceção é Angola que passou de representar 5,8% das exportações em 2008 para pesar apenas 2,6% uma década depois. A queda das exportações para território angolano regista-se desde 2015.


Apesar das exportações para Espanha continuarem a crescer, a economia espanhola também perdeu peso: de 27,8% para 25,3% em 2018.


Em contrapartida, França, Reino Unido, Estados Unidos e Itália aumentaram a sua importância relativa enquanto destinos das vendas de bens portugueses. O mesmo aconteceu com o Brasil que entrou para o top 10.

O Negócios tirou uma fotografia às exportações por tipo de bens em 2008 e em 2018. A comparação entre os dois anos, intercalados por uma dura crise económica, mostra que a estrutura das exportações não mudou de forma radical. Mas há mudanças a assinalar: as vendas ao exterior de carros aceleraram mais do que a média enquanto as dos têxteis perderam peso. Os laços comerciais com Angola pioraram, mas as relações com o Brasil melhoraram.

GRANDES CATEGORIAS ESTÁVEIS
Em percentagem do total das exportações
Decompostas pelas grandes categorias de bens, as exportações portuguesas mantiveram a estrutura que tinham há uma década. A posição relativa ficou inalterada em 2018 face a 2008.

CARROS D ESTACAM- SE PELA POSITIVA
Variação do peso no total das exportações
Afunilando a análise, é possível ver subcategorias onde as exportações cresceram mais do que a média. É o caso dos carros, dos produtos petrolíferos refinados, da borracha e dos alimentos.

BRASIL SALTA PARA O TOP 10
Em percentagem do total das exportações
Nestes 10 anos, os principais parceiros comerciais de Portugal mantiveram-se constantes. Mas a posição relativa mudou. Angola perdeu quatro posições. Já o Brasil entrou para o top 10.

Vendas de bens para fora da Europa encolhem em 2018
Depois de dispararem em 2017, as exportações portuguesas para fora da União Europeia contraíram em 2018, ano marcado pela disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.

Portugal já sentiu as primeiras ondas de choque da disputa comercial que está a travar a procura externa. As vendas de bens portugueses no mercado europeu continuaram a aumentar. Mas para fora da União Europeia, as vendas encolheram, o que contribuiu para a travagem das exportações como um todo.


As exportações de bens para o mercado extra-UE contraíram 2,7% em 2018, depois de terem crescido 14,6% em 2017.


Paradoxalmente ao que aconteceu nas exportações para a União Europeia, as vendas de carros para o exterior do bloco caiu 21% face a 2017. As quedas veri- ficaram-se em quase todas as categorias, mas em menor grau.


Quanto a países, as maiores quedas registaram-se em Angola, Brasil e China. Desta lista ficam de fora os EUA para onde as vendas de bens continuam a crescer.


Este pode ser um mau prenúncio para 2019. As previsões das instituições já dão como certa uma nova desaceleração das exportações, mas a dimensão dessa travagem pode ser maior do que a esperada caso as disputas comerciais continuem.

Os EUA e a China ainda não chegaram a acordo comercial numa altura em que os efeitos das tarifas já chegaram a território chinês. O mercado chinês não está no top 10 de destinos das exportações portuguesas (13.°), mas é dos que cresce ao maior ritmo a nível mundial.

Défice comercial em máximos de 2010
As exportações de bens aumentaram 5,3% em 2018, travando face ao ano anterior (+10%). As importações de bens aumentaram a um ritmo superior de 8% (13,1% em 2017), engordando o défice comercial em 2,7 mil milhões de euros.


As exportações estão a crescer menos do que as importações há três anos consecutivos, o que se tem traduzido num aumento do défice comercial durante a atual legislatura. Este efeito é mais intenso porque o montante de importações é superior ao das exportações (75 mil milhões de euros face a 57,9 mil milhões, respetivamente).


Esta evolução das vendas e compras ao exterior de bens levou o défice comercial a disparar 18% face a 2017 e a atingir um máximo de 2010. Ao todo, a diferença entre as exportações e as importações de bens foi de 17,1 mil milhões de euros. E preciso recuar oito anos para encontrar um valor superior (21,3 mil milhões de euros em 2010).


Recorde-se que isto reflete a necessidade que as exportações de bens portugueses têm de compras ao exterior. Os últimos dados do INE indicam que para exportar 10 euros Portugal tem de importar quatro euros. Exemplo disso são as exportações de produtos refinados do petróleo onde o acréscimo nas importações seria de 9,4 euros.

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