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O Fórum Económico Mundial diz que há ainda razões para cautela, mas perspetiva de criação de empregos é mais positiva do que em 2016.

Os robôs ainda vêm roubar-nos os empregos, mas também criarão novas tarefas para os humanos, num saldo positivo de 58 milhões de postos de trabalho ao longo dos próximos quatro anos. O cálculo é do Fórum Económico Mundial, que esta segunda-feira publica o relatório “Future of Jobs 2018”.

 

Segundo a organização, até 2022, a automação vai colocar em risco 75 milhões de postos de trabalho associados a tarefas como introdução de dados, contabilidade, processamento de salários, secretariado, montagem de partes na indústria, serviço a clientes, auditoria, reposição de stocks, gestão de operações ou serviços postais.

 

Mas, em compensação, a integração tecnológica no trabalho deverá abrir novas oportunidades. O relatório do Fórum Económico Mundial classifica as principais novas funções. Primeiro, serão necessários mais cientistas e analistas de dados. Depois, haverá necessidade de mais especialistas em inteligência artificial, programadores de software e aplicações, profissionais de marketing, especialistas em big data, em novas tecnologias, ou em desenvolvimento de organizações. Aqui, estima, serão criados 133 milhões de novos postos de trabalho.

 

O saldo é, assim, positivo para o Fórum, que prevê também uma inversão na divisão do trabalho entre homens e máquinas. Se atualmente os humanos são responsáveis por 71% das horas trabalhadas a nível mundial, essa proporção deverá cair para 58% em 2022. Já em 2025, em sete anos, maior parte do trabalho será executado pelas máquinas. Os humanos trabalharão apenas 48% das horas.

 

O relatório sobre “o futuro do trabalho” da organização antecipa ainda que nos próximos quatro anos cada trabalhador vai precisar de dedicar 101 horas adicionais do seu tempo a formação. E mais de metade dos profissionais dos diferentes sectores, 54%, precisarão de uma significativa atualização de competências.

 

O estudo tem por base inquéritos a executivos e gestores em 12 sectores da economia de 20 países, desenvolvidos e emergentes. Em conjunto, representam 70% do PIB global, anota o relatório. Perto de metade das empresas inquiridas antecipam reduzir a mão-de-obra até 2022 em resultado da automação. Já cerca de 40% planeiam contratar mais trabalhadores. Mais de um quarto acreditam que as mudanças tecnológicas criarão novos postos de trabalho nas empresas que representam.

 

O documento fala em razões tanto para otimismo, como cautela. Por comparação com um estudo semelhante produzido em 2016 pelo Fórum Económico Mundial, defende, “a perspetiva de criação de empregos é agora muito mais positiva uma vez que os negócios têm muito melhor entendimento das oportunidades criadas pela tecnologia”.

 

“Ao mesmo tempo, é quase certo que a grande disrupção que a automação trará à força laboral global acarretará mudanças na qualidade, localização, formato e permanência de tarefas que exigirão muita atenção da parte de líderes nos sectores público e privado”.

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