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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Previsões do Banco de Portugal, divulgadas esta terça-feira, indicam que o crescimento do emprego deve abrandar mas será suficiente para que a taxa de desemprego continue a cair, recuando para 5,3% em 2021, níveis que não são vistos no país desde 2002.

Após o forte dinamismo no passado recente, o Banco de Portugal (BdP) antecipa que o emprego continue a crescer nos próximos anos, mas de forma mais contida: depois dos 3,3% registados em 2017, o aumento deverá ficar pelos 2,2% este ano, 1,2% em 2019, 0,9% em 2020 e 0,4% em 2021.

 

Esta evolução na criação de postos de trabalho "permitirá a continuação de uma trajetória descendente da taxa de desemprego, embora mais moderada do que nos anos recentes", considera a instituição. Assim, a taxa de desemprego deverá ficar, em termos de média anual, nos 7% este ano (8,9% em 2017), caindo para 6,2% em 2019, 5,5% em 2020 e 5,3% em 2020. Valores que não são vistos em Portugal desde 2002.

 

Salários aceleram

 

A recuperação do mercado de trabalho também deve começar a sentir-se de forma mais marcada na evolução dos salários e, em última análise, dos preços, considera o BdP.

 

A instituição projeta uma aceleração gradual dos salários nominais por trabalhador ao longo do período de projeção, "extensível ao setor privado e ao setor público". E lembra que "no caso do sector privado, têm sido observados sinais de maior dinamismo nos salários no período mais recente".

 

O BdP recorda ainda que a evolução dos salários em 2018 e 2019 "está também influenciada pelo aumento do salário mínimo, de 4,1% em 2018, cujos efeitos se dissipam em 2019". Quanto a 2019, de acordo com as regras do Eurosistema, no cenário central das projeções não foi incluido o aumento pré-anunciado do salário mínimo para 600 euros mensais, "por não se tratar de uma medida especificada com suficiente detalhe". Isto significa que a aceleração dos salários pode ser mais forte do que previsto pela instituição.

 

Quanto a 2020-21 "projeta-se a continuação da trajetória recente de aceleração nos salários", antecipa o BdP. E aponta que "no caso do setor público, o descongelamento gradual das progressões salariais na administração pública que teve início em 2018 refletir-se-á em aumentos dos salários até 2020. "Adicionalmente, em 2020 e 2021 assume-se uma hipótese de atualização salarial na administração pública em linha com as expetativas de evolução de preços", indica a instituição. Ou seja, o BdP espera que, ao fim de largos anos sem atualização das tabelas remuneratórias, os funcionários públicos sejam aumentados em linha com a inflação.

 

Contudo, o impacto do aumento dos salários no crescimento dos custos unitários de trabalho "será relativamente moderado" no período de projeção, considera o BdP. Tudo porque "se projeta alguma recuperação da produtividade".

 

Quem se ressentirá será a inflação, com "os preços no consumidor a crescer 1,4% em 2018 e em 2019, 1,5% em 2020 e 1,6% em 2021, traduzindo um quadro de algumas pressões inflacionistas internas originadas pelos custos salariais".

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