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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Em vésperas de formalizar o contrato que vai permitir à Mitsui controlar 42,5% do capital da Caetano Bus, o CEO da empresa, Jorge Pinto, explica porque considera que esta é uma parceria onde só há vencedores.

As perspectivas de crescimento da empresa até 2025 vão obrigar a ampliar as instalações da Salvador Caetano em Ovar. “É lá que vai ter de ser construída uma segunda Caetano Bus”, explicou o presidente executivo da administração da empresa, Jorge Pinto.

 

Como é que um pequeno fabricante português chamou a atenção de um gigante como a Mitsui?


Foram eles que repararam em nós, na nossa actividade dentro da mobilidade eléctrica. Pediram uma visita, há cerca de dois anos. Levámos a comitiva a jantar a um restaurante em Matosinhos a bordo de um autocarro eléctrico. Ficaram muito impressionados e não parámos de conversar. Estes processos demoram, naturalmente, tem a ver com a complexidade de negócio, com os valores envolvidos. O interesse da Mitsui surgiu numa altura em que já tínhamos identificado a necessidade de aumentar o capital da empresa e reduzir o endividamento. Seria inevitável fazê-lo desde que assumimos a aposta de desenvolver as nossas competências no segmento urbano da mobilidade eléctrica, e que nos traria grandes esforços de financiamento. Estávamos a pensar numa empresa meramente financeira quando a Mitsui apareceu aqui.

 

O grupo Salvador Caetano disse que não prescindia do controlo da empresa. Para já, a Mitsui só tem formalizados 15%. Mas irá até onde?


Em Dezembro de 2017, concretizámos a primeira parte desta parceria e a Mitsui assumiu 15% do capital. Até ao final de Abril, deverá concretizar o segundo passo, até ao limite de 42,5%. Em meados de Maio, faz-se o closing final deste negócio, e a presença deste parceiro vai passar a ser real. Já cá está um administrador japonês permanente, e vamos ter um não executivo. Para já, este casamento está a correr muito bem.

 

Onde é que a Mitsui pode ser mais importante?


Percebemos que a Mitsui podia ser muito importante em várias áreas. Para além do reforço de capital que faz de imediato, por entrada, vai dar-nos acesso a outros mercados onde a Caetano Bus ainda não está, e onde dificilmente chegaria sozinha. É na identificação de novas oportunidades de negócio que esta parceria com a Mitsui pode ser mesmo muito relevante. Tenho visitado mercados como a Rússia, Filipinas, Malásia, até o próprio Reino Unido. E há outras geografias e cidades que têm um mercado muito interessante para nós, como Teerão. Será mais fácil a entrada com estes parceiros pelo lado. Por fim, não podemos esquecer que os japoneses nos abrirão as portas a um conjunto muito grande de tecnologias e empresas da própria Mitsui, e que nos podem beneficiar no nosso desenvolvimento.

 

Onde é que a Caetano Bus pretende estar em 2025?


Se olharmos para o conjunto de cidades, na Europa e fora dela, em que há compromissos ou pelo menos manifestações de intenções e promessas de tornarem as cidades mais limpas nos próximos 10 a 15 anos, vai haver um grande mercado para eléctricos - esperamos que de dezenas de milhares de veículos. Nós fabricamos actualmente entre 650  a 700 autocarros por ano. Em 2025, queremos estar a construir cerca de duas mil. Parece um objectivo muito ambicioso, se olharmos para o nosso estado actual, mas pouco ambicioso se olharmos ao potencial do mercado do futuro.

 

A fábrica de Gaia está limitada à produção de quantas unidades por ano?


Estamos actualmente a fabricar 650 a 700. Poderemos, no máximo, chegar a 900 autocarros por ano. A ideia é mantermos aqui a capacidade que temos hoje. E, para não termos de fazer um investimento de raiz, vamos aproveitar as nossas instalações industriais em Ovar e construir lá uma segunda Caetano Bus, basicamente. De acordo com o plano de negócios, temos de arrancar com linhas de produção fora de Vila Nova de Gaia em 2020, máximo 2021.

 

Vão alterar o vosso mix de produtos? Que peso têm actualmente os segmentos de aeroporto, turismo e urbano?


Diria que estão equilibrados, e que pesam um terço da produção, cada um deles. Mas a nossa aposta, o segmento onde queremos consolidar o nosso crescimento, é no segmento urbano. É aí que estamos a apostar todas as nossas fichas.

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