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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A quebra na venda de queijo aos Estados Unidos pode andar entre os 10% e os 15%. Mas há mais produtos afetados.

A partir de hoje, leite, queijo, manteiga, iogurtes, carne de porco e derivados, peras, cerejas, pêssegos, laranjas, sumos de algumas frutas e ainda marisco (preparados) exportados de Portugal para os Estados Unidos passam a estar sujeitos a uma taxa aduaneira de 25%.

 

O que é que isto significa? Mais dificuldades na colocação de produtos naquele que é um dos mercados mais cobiçados do mundo e, para as empresas, quebras prováveis nos volumes exportados. Ou seja, no fim do dia, menos dinheiro nas contas bancárias dos produtores portugueses.

 

“Não temos conhecimento do cancelamento de nenhuma encomenda em concreto de Portugal para os EUA, nem de nenhuma mudança estratégica por parte dos produtores. Agora, que esta imposição aduaneira vai abalar fortemente as exportações que estavam a começar a trilhar o seu caminho num mercado difícil como é o norte-americano, disso não temos a mais pequena dúvida”.

 

É assim que Jorge Tomás Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), reage à entrada em vigor, hoje, de novas tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos a alguns produtos europeus que, no caso português, irá afetar sobretudo os produtos lácteos e, em particular, os queijos.

 

JÁ HÁ ENCOMENDAS FECHADAS PARA O NATAL

 

“Depois de auscultadas algumas empresas e associações percebemos que o sector mais afetado será o dos queijos. Apesar de em 2018 termos exportado cerca de €2,7 milhões, este valor vai ser superado este ano e corresponde a cerca de 12% das exportações totais de queijo. As empresas fizeram grandes investimentos e não podem perder clientes, até porque nos aproximamos do Natal e haverá já muitas encomendas fechadas”, explica Amândio Santos, presidente da Portugal Foods, marca-chapéu que congrega o sector agroalimentar.

 

O mesmo responsável nota ainda que o impacto maior sentir-se-á sobretudo nos queijos amanteigados de cabra e de ovelha e também fatiados tipo flamengo, assim como no que é produzido nos Açores (mais conhecido por ‘queijo da ilha’).

A Portugal Foods estima que possa haver um impacto em cerca de dois milhões de euros, embora seja difícil quantificar com exatidão.

 

“Estamos a falar de subsetores que ainda exportam muito pouco para os EUA, mas começavam agora a entrar num mercado que é muito difícil” e, simultaneamente um dos mais cobiçados do mundo, sublinha o presidente da FIPA.

 

QUEBRAS ESPERADAS DE 10% A 15%

 

Perante esta nova situação aduaneira, que poderá redundar em quebras de 10% a 15% nos volumes que estavam a ser exportados, aquele responsável só pede uma coisa: “mais ajuda ao nível da diplomacia económica”.

 

Jorge Tomás Henriques espera cooperação por parte do novo Governo de António Costa mas, vai dizendo: “olhamos para isto com muita preocupação e não se avizinha nada de bom”. É que, acrescenta, “estamos perante agravamentos aduaneiros cirúrgicos”.

 

Por outro lado, o presidente da FIPA, diz que não está prevista a reexportação dos produtos portugueses para os EUA a partir de outros países que não sejam abrangidos pelas imposições da administração Trump.

 

O sector agroalimentar, no seu conjunto, tem vindo a crescer a uma taxa de 3% a 5% ao ano, nas suas exportações. Em 2018 ultrapassou pela primeira vez os €5 mil milhões mas, em 2019, com o abrandamento de vendas a Angola e, agora, estas limitações aduaneiras norte-americanas, poderá não crescer, mantendo-se, segundo a FIPA, ao mesmo nível do ano passado.

 

TAXAS CIRÚRGICAS

 

Segundo a Portugal Foods, em 2018 os EUA importaram produtos portugueses no valor de €2,9 mil milhões. As importações de produtos agroalimentares constituíram 5,88% desse valor, tendo ascendido aos €170 milhões.

 

Do total das importações agroalimentares de origem portuguesa por parte dos EUA, as três categorias de produtos com maior relevância foram: bebidas alcoólicas; peixe e marisco e fruta e vegetais.

 

A aplicação de taxas é de tal forma cirúrgica que, por exemplo na categoria dos queijos, a França não é afetada.


No caso das azeitonas de mesa, e de acordo com a Portugal Foods, as exportações nacionais não são afetadas, mas as de países como a França e Espanha são. Já no azeite Espanha é afetada e Portugal não. Nalguns tipos de bolachas e biscoitos o Reino Unido e a Alemanha são particularmente visados.

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