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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Números totais do IDE escondem nova tendência, diz presidente da AICEP. Vem aí mais emprego para engenheiros, informáticos, cientistas, prevê.

Cerca de 70% do valor das propostas de investimento mais inovador que está a ser analisado na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) vem do estrangeiro (IDE ou investimento direto estrangeiro). Até agora, essa proporção era maioritária, mas não esmagadora: rondava os 55% no anterior quadro de fundos europeus (QREN) e no que já foi cimentado no âmbito do atual Portugal 2020. Em declarações ao Dinheiro Vivo, o presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, congratula-se com a maior densidade de valor acrescentado e tecnológico dos projetos, na indústria e nos serviços, e por serem criadores de empregos de qualidade superior. Mais engenheiros, informáticos, cientistas virão, espera o economista.
 
Para o responsável, esta subida no perfil marca a diferença, mas o interesse crescente dos estrangeiros também. “Mais confiança e no fundo a confirmação de que Portugal tem recursos humanos de alta qualidade e contexto que valem a pena aproveitar aos olhos dos investidores estrangeiros”, diz. Projetos no corredor à espera de entrar Segundo Castro Henriques, “no pipeline atual, os projetos que temos em análise para concretizar este ano ou no próximo ano e meio, a proporção de IDE aumenta muito claramente face ao que vimos até aqui. Para termos uma base de comparação, em média, do que já entrou, dá 55% de IDE, 45% de investimento de raiz acionista portuguesa. Mas, agora, no nosso pipeline, vemos que a proporção do capital estrangeiro já vai em 70% contra 30% nacional”. De acordo com os números fornecidos pela agência ao DV, trata-se de um “volume elevado de projetos de investimento com candidaturas ao Portugal 2020 e que estão em análise pela AICEP”.
 
O total deste IDE à espera de luz verde ultrapassa já os 2,3 mil milhões de euros. Segundo explica Castro Henriques ele divide-se em investimento em “inovação produtiva”, sobretudo ligado a áreas industriais (cerca de 2 mil milhões de euros) e em investigação, desenvolvimento e tecnologia, que podem ou vão significar 384 milhões adicionais. No primeiro bloco, os principais sectores recetores da aposta do estrangeiro são “automóvel e componentes (10% do investimento); indústria química (25%); papel, madeira e cortiça (30%); turismo (14%)”. “A Europa core (Espanha e França, mas também Itália, Reino Unido, Holanda) representa 51%” do investimento em causa. Dos EUA vem mais 37% de total classificado como mais ou muito inovador. De Brasil, Qatar e Canadá procedem outros 7%. A AICEP calcula que o investimento total (70% estrangeiro e 30% nacional) muito inovador que está à espera de entrar, apoiado via Portugal 2020, signifique “seis mil empregos adicionais e um aumento de 3 mil milhões de euros nas exportações”. Os dados globais Os dados mais recentes (ver infografia em baixo) mostram que houve uma recuperação assinalável do IDE total em 2017, uma expansão de 8%, para 6,2 mil milhões de euros. Essas estatísticas, que englobam o IDE produtivo, o muito inovador, mas também as operações meramente financeiras e ligadas ao imobiliário, indicam, naturalmente, que o maior sector recetor foi o da banca e seguros.
 
“Não são call centers” No entanto, o presidente da AICEP acredita que “está em curso uma nova macrotendência”. “Este reforço do interesse do investimento estrangeiro de qualidade foi e está a ser determinada por alguns fatores chave. A saída do país do programa da troika, por exemplo. Este movimento começa a seguir a isso. Relevantes são também os bons resultados que têm sido apresentados e premiados pelas agências de rating”. A tendência nova é que “no sector industrial, o investimento que estamos a trazer tem duas características: é inovador e de alto valor acrescentado e é exportador”. “Penso ainda que a estratégia de angariação seguida pela agência tem sido eficaz e, obviamente, também inclui incentivos mais fortes para áreas de inovação e tecnologias”, acrescenta o economista. A outra grande tendência, diz o dirigente da AICEP, acontece nos serviços. “Sem desprimor em relação aos call centers”, Castro Henriques diz que o que está a crescer e vai continuar são “os centros de engenharia, de desenvolvimento de software, de serviços partilhados”. “Portugal tem este tipo de quadros para oferecer, caso contrário estas empresas não vinham para cá. Temos uma oferta forte em pessoas altamente qualificadas, nas áreas das engenharias, na economia e gestão ou nas ciências puras. E não é para trabalhar em call centers, de todo”, remata. “Se olharmos só para 2017, há de facto uma proporção cada vez maior e maioritária de recrutamento altamente qualificado. O melhor exemplo, que não é o único, é este centro da Vestas, no Porto, que recrutou mais de 300 engenheiros, que só fazem trabalho de engenharia puro e duro”, recorda o dirigente da agência.

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