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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Aos 69 anos, a senhora que tem a imagem que as suas clientes ambicionam investiu numa clínica de estética avançada com 100% de capital próprio.

Ana Mexia é a prova de que o espírito empreendedor pode correr nas veias de todos e todas, independentemente da idade. Para esta fazedora de 69 anos a reforma não podia ser sinónimo de parar.

 

Não tinha planos para a nova fase da sua vida, confessou em entrevista ao Dinheiro Vivo, mas pouco hesitou quando um grupo de especialistas na área da estética em quem confiava a desafiou a fundar a Improve Your Body and Soul, uma clínica que junta o emagrecimento ao bem-estar emocional.

 

Projetou tudo sozinha, desde o conceito à arquitetura, criando um espaço envidraçado que dá para um pequeno jardim na Rua Soeiro Pereira Gomes, perto do Sana Metropolitan Hotel, em Lisboa. Tudo teve uma razão de ser.

 

O facto de estar num local de pouca passagem garante o anonimato de quem o frequenta. Neste momento a equipa é composta por 11 pessoas e os clientes são 167. Alguns são figuras públicas, mas Ana Mexia garante que o conceito é para todos e acessível: um plano de tratamento customizado, que inclui as várias áreas de tratamento, e pode ser pago em mais do que uma vez.

 

“Acredito que para estar bem com o mundo e com os outros temos de nos sentir bem connosco próprios. O nosso visual é o primeiro cartão-de-visita.” A própria imagem de Ana Mexia comunica o conceito do seu negócio. Discurso entusiasmado, roupa clássica com cores vivas, tom sobre tom. Corte perfeito e energia a condizer. Ana Mexia é uma ‘jovem’ sóbria à moda antiga, com um claro entusiasmo que vem de dentro.

 

Com aquela garra de empreendedora, fala com as mãos e com a motivação de quem está a estrear-se pela primeira vez. De facto está a estrear-se mas não é, de longe, a primeira vez.

 

Formada em tradução pelo Instituto Superior de Línguas e Administração (ISLA), começou a sua carreira em grandes farmacêuticas na década de 70-80. Passou pela GlaxoSmithKline, onde esteve 12 anos, e pela Sandoz.

 

Chegou a ter uma empresa de representação de material cirúrgico para cirurgias oftalmológicas. Foi coordenadora de media do Ministério dos Negócios Estrangeiros em 2000 e anos mais tarde organizou altas reuniões e eventos de grande dimensão no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia. Quando o marido morreu herdou um negócio têxtil familiar que conseguiu recuperar graças à sua tenacidade.

 

As muitas reuniões de negociação com a banca deram-lhe um traquejo que até a ela surpreendeu. Nos anos 80-90 do século passado uma mulher sentada à mesa dos negócios não era comum. O têxtil foi também uma aposta de Ana Mexia depois do embate de mais de dois anos a lutar num mundo de homens.

 

Criou a sua marca de moda, a Di Pantaloni, chegando a ter seis lojas franchisadas. Antes já tinha representado em Portugal a marca francesa Deschamps. O exemplo de Ana Mexia mostra também que para fazer acontecer é preciso conhecer bem a área e adorar o que se faz.

 

“Sempre me tratei.” Por sugestão do seu pai, começou a fazer tratamentos de estética desde muito cedo.

 

“Na minha família há uma tendência para as mulheres terem perna larga. O meu pai sempre pôs as meninas a tratar da perna gorducha”. Assim, com um pai que zela pela sua imagem e autoestima, Ana Mexia começou ir a uma clínica de estética na Rua Castilho em Lisboa quando ainda estava na casa dos 16-17 anos. Pode dizer que conhece esta área por experiência própria desde a adolescência.

 

Nunca parou de se cuidar e hoje lança o seu próprio espaço holístico onde oferece planos de tratamento que integram Medicina, Nutrição, Psicologia, Naturopatia e Medicina Tradicional Chinesa. Pressoterapia, Endermologia e tratamentos pioneiros em Portugal realizados com os aparelhos Venus Legacy e Venus Viva completam a oferta.

 

Prima de António Mexia, o CEO da EDP, muitos conhecem-na dos eventos no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Quando fundou a Improve apostou sozinha, mas rodeou-se de especialistas da estética a quem deu sociedade, garantindo um envolvimento que considera essencial.

 

O investimento foi feito com 100% de capital próprio, mas não quer revelar o montante. Espera que o retorno surja no máximo em dois anos e meio. Em 2008, no final do seu primeiro ano inteiro de atividade, quer chegar aos 400 mil euros de faturação. E pelas suas contas, dentro de um ano estará a ganhar 200 mil euros por mês.

 

Depois do lançamento em outubro do ano passado, “já estou a pensar na segunda e terceira clínica”, diz a fundadora e CEO da Improve, revelando que a ambição e o querer fazer acontecer são à prova de idade.

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