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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A EY acaba de lançar, em parceria com a APIT (Associação de Produtores Independentes de Televisão), a primeira edição do Anuário do Setor da Produção Audiovisual em Portugal, que aborda as principais tendências do setor a nível internacional e nacional.

Em Portugal, mais de metade do volume de negócios do setor audiovisual gerado em 2017 resultou da atividade de produtores independentes. Destes produtores independentes, cerca de 80 por cento dedica-se maioritariamente à produção de obras transmitidas em televisão, sendo que 94 por cento do volume de negócios é gerado por produtores independentes de televisão associados da APIT.

 

Face a 2013, o número de trabalhadores no setor aumentou 15 por cento, o volume de negócios 5,2 por cento e as exportações 15,4 por cento, apesar do EBITDA ter registado uma queda de 3,2 por cento.

 

Portugal representa apenas uma pequena parte do setor de produção audiovisual europeu. Segundo dados do último ano disponível do Eurostat (2016), o volume de negócios das empresas portuguesas cuja atividade principal é a “Produção de filmes, de vídeos e de programas de televisão” foi de 0,8 por cento do total da UE28, resultado explicado pela pequena dimensão do mercado doméstico e pela reduzida internacionalização da produção nacional. No entanto, olhando para a relevância das atividades de produção na cadeia de valor do audiovisual, Portugal é um dos países onde esta atividade tem maior peso.

 

Portugal é, também, o país europeu onde o número de horas de produção de ficção é mais elevado. Com efeito, existe uma clara orientação das empresas portuguesas para obras de ficção de longa duração, não só pela maior preferência do consumidor português por este formato, mas igualmente como forma de rentabilizar as produções em território nacional.

 

O estudo realizado pela EY salienta ainda que a produção de conteúdos audiovisuais em território nacional dispõe de um quadro restritivo de apoios. Em 2017, os apoios concedidos pelo ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) para o setor audiovisual de televisão foram de 3,3 milhões de euros, apenas 3,5 por cento do VAB gerado pelo setor nesse ano. A ficção e os telefilmes foram os tipos de projetos com maior relevo nos apoios concedidos à produção audiovisual do ICA. Os apoios ao nível da escrita e desenvolvimento e de inovação foram distribuídos de forma mais equitativa pelos diferentes géneros. No entanto, atendendo à procura verificada (15,8 milhões de euros), as necessidades do setor estão longe de ser satisfeitas.

 

Este estudo destaca igualmente que, no ano de 2018, foram introduzidas alterações no quadro regulamentar com impacto potencialmente relevante no setor de produção audiovisual português, em particular ao nível fiscal, com a revogação do benefício fiscal existente e a sua substituição por um regime tendencialmente mais favorável. No entanto, as atenções estão viradas para a revisão da Diretiva “Serviços de Comunicação Social Audiovisual” (AVMS), que, tendo em conta os desenvolvimentos ao longo do processo de revisão, poderá ter um impacto significativo na organização e funcionamento da cadeia de valor do audiovisual na Europa. Para além disso, as alterações introduzidas no regime do trabalho independente em Portugal, que entraram em vigor em 2019, terão impacto nos custos da contratação de pessoal por parte das empresas produtoras, na medida em que a atividade não regular (ou por projeto) exige que muitas das relações laborais no setor audiovisual caiam com este novo regime.

 

Quando questionadas sobre o futuro próximo, 20 por cento das empresas espera que o aumento do consumo em multiplataforma tenha impacto positivo na sua atividade e 56 por cento considera que a inovação de produto ou formato, e as parcerias, são cruciais na sua estratégia. Grande parte das empresas (70 por cento) espera aumentar o volume de negócios internacional nos próximos 12 meses.

 

O cenário perspetivado para o ano de 2019 pelos produtores de conteúdos é assim positivo, sendo que são mais os que esperam um incremento da atividade do que os que revelam o contrário. A procura nos mercados internacionais sentida pelas empresas tenderá a produzir efeitos de forma mais evidente este ano, suportando o alargamento da carteira de clientes. Em termos financeiros, as empresas esperam que os encargos subam ligeiramente, apesar de preverem que o nível de endividamento venha a permanecer praticamente inalterado. A expetativa é positiva em relação aos resultados gerados pela atividade para os próximos 12 meses.

 

Nesta primeira edição, a nível internacional, destaca-se, por outro lado, o aumento do consumo de conteúdos audiovisuais na internet, graças às redes sociais, que tem promovido a entrada de empresas tecnológicas na transmissão de conteúdos, estando a verificar-se um número significativo de aquisições de conteúdos premium por parte de grandes empresas tecnológicas como a Amazon, Netflix, entre outras – com destaque para os conteúdos desportivos. O cord cutting (redução de subscritores de serviços de televisão por cabo) está a tornar-se numa realidade nos EUA e será uma tendência futura na Europa e, em especial, em Portugal, com a entrada de novos serviços de VoD (por exemplo, Youtube TV) e com as gerações mais novas a deslocarem o seu consumo de conteúdos audiovisuais da televisão linear para outras plataformas.

 

Outra tendência registada no universo audiovisual é o consumo em cross-plataform e off-plataform, visto que o consumo de conteúdos está a ser feito num número cada vez maior de aparelhos eletrónicos, uma realidade cada vez mais presente em programas televisivos com grandes níveis de audiência. Por outro lado, o alargamento da oferta passa ainda pela disponibilização de conteúdos offline, possibilitado pelo aumento da capacidade de armazenamento dos dispositivos eletrónicos.

 

Verifica-se igualmente uma maior orientação dos serviços de VoD – que podem contribuir para o crescimento do setor de conteúdos audiovisuais – para a produção de originais, com players com maior penetração no mercado como a Netflix, que se encontram a apostar cada vez mais na produção de conteúdos originais e exclusivos. Verifica-se ainda uma aposta em produções locais, para fazer frente a questões regulamentares e especificidades do consumidor. Algumas destas tendências estão a dar origem a outras, entre elas a verticalização da cadeia de valor e o serviço direct-to-consumer.

 

Por fim, começam a verificar-se novas formas de monetização do conteúdo e de publicidade. A televisão já não possui a fatia mais importante das receitas publicitárias, tendo sido ultrapassada pelo digital, apesar de em Portugal, esse cenário ainda não se verificar. A diminuição das receitas publicitárias coexiste com um aumento da exigência na qualidade dos conteúdos produzidos (e respetivos custos) e com uma maior fragmentação do consumo.

 

Assim, todos os intervenientes na cadeia de valor têm o desafio de criar novas fontes de valor para o consumidor, muitas delas relacionadas com os conteúdos produzidos, como é o caso do merchandising e de conteúdos complementares para redes sociais. Na verdade, o product placement, a criação de conteúdos em redes sociais e a comercialização de merchandising estão a ser as ferramentas mais utilizadas para aumentar o engagement e a rentabilidade dos projetos audiovisuais.

 

Para mais informações e aceder ao estudo, clique aqui.

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