NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O investimento direto estrangeiro mundial registou uma quebra de 27% em 2018, atingindo o nível mais baixo desde 1999.

Em 2018 o investimento direto estrangeiro (IDE) travou a fundo em todo o globo. Os dados mais recentes da OCDE, conhecidos esta semana, indicam que os fluxos de IDE recuaram 27% no ano passado, face a 2017, para menos de 980 mil milhões de euros (1097 mil milhões de dólares). Representa o valor mais baixo desde 1999. O comportamento deste indicador foi penalizado sobretudo pela reforma fiscal introduzida por Donald Trump, nos Estados Unidos, que impulsionou o repatriamento de muitos capitais norte-americanos espalhados pelo mundo.

 

Em Portugal, e segundo os números da OCDE, o investimento direto estrangeiro ficou abaixo dos cinco mil milhões de euros em 2018. A Grã-Bretanha foi o principal investidor, num montante de 896 milhões de euros “sendo que o stock acumulado de IDE com origem no Reino Unido ascendeu aos 10,4 mil milhões de euros”, indica fonte oficial do ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

A contribuir para este resultado esteve o brexit. Para se ter uma ideia, 22 empresas britânicas vieram para Portugal entre 2017 e 2018, criando 1400 postos de trabalho, em setores que vão desde tecnologias da informação a farmacêutica e educação.

 

Com a saída do Reino Unido da UE ainda por definir, as autoridades nacionais continuam a apostar em captar mais negócios para Portugal. O governo destaca “projetos de investimento, em fase de angariação, quer junto de empresas do Reino Unido, que estão a avaliar ter produção também fora do Reino Unido, ou seja, dentro do espaço da União Europeia, quer empresas estrangeiras, que congelaram decisões de expansão das unidades que têm no Reino Unido e estão simultaneamente a avaliar outras localizações, onde Portugal se apresenta muito competitivo, em muitos setores”.

 

O Luxemburgo e a China ocupam as restantes posições do pódio de investimento em solo nacional, sendo que Pequim é a principal origem de investimento externo à União Europeia. A entrada de capital chinês foi de 381 milhões de euros, o que reflete uma quebra de 3,3%, muito ligeira se comparada com o recuo do investimento direto chinês na Europa no ano que passou. Em 2018, a China investiu menos 29 mil milhões de euros nos países da UE, o que representou uma diminuição de 40% face ao ano anterior, de acordo com dados das consultoras Rhodium e Merics.

 

Já Angola, que em 2017 ate desinvestiu em Portugal, voltou no ano passado a apostar significativamente, colocando 198 milhões de euros. Os Estados Unidos, que em 2018 travaram o investimento noutros países, injetaram 132 milhões de euros em Portugal, mais do dobro do ano anterior. Por outro lado, houve uma quebra de 24% no investimento brasileiro, que se ficou pelos 110 milhões de euros.

Partilhar