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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os investidores imobiliários olham para o coronavírus com um "otimismo cauteloso" e acreditam que a crise que está a ser sentida vai levar a uma aceleração da descida de preços.

O surto de coronavírus está a afetar o setor imobiliário, mas os investidores, sobretudo internacionais, olham para esta pandemia com um “otimismo cauteloso”. É certo que já não se realizam visitas a imóveis e adiam-se assinaturas de contratos de promessa compra e venda, mas o mercado acredita que, dentro de um ano, ou menos, o setor vai recuperar. Para os portugueses que procuram casa podem vir aí boas notícias: uma descida dos preços da habitação.

 

Nas imobiliárias já se começam a sentir as consequências diretas do coronavírus. “Alguns clientes europeus, por dificuldade em viajar, pediram para adiar as assinaturas dos contratos de promessa compra e venda”, relata o CEO da Vanguard Properties, José Cardoso Botelho, durante uma conferência online sobre os impactos do coronavírus no setor. Ricardo Sousa, CEO da Century21 (C21), fala na “suspensão de visitas programadas”.

 

“Temos estado em contacto permanente com investidores e, pese embora estes momentos de dificuldade, a verdade é que, do lado dos investidores internacionais, há uma visão de um certo otimismo cauteloso“, diz Hugo Santos Ferreira, vice-presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), também participante na conferência.

 

O representante dos investidores imobiliários adianta ainda que “há uma apreensão a curto prazo, principalmente no próximo mês, que terá um impacto negativo para o setor”. Contudo, admite que “em 12 meses, se tudo correr bem, até ao final do ano, conseguiremos ter o setor recuperado”.

 

Ainda assim, dado que a curto prazo o impacto será “muitíssimo negativo” para as empresas imobiliárias, Hugo Santos Ferreira apela ao Governo para a adoção de medidas para colmatar esses efeitos. “A suspensão imediata na moratória de todos impostos e a suspensão na contagem do prazo da compra para revenda”, disse. “Pode e vai haver um estrangulamento de tesouraria nas nossas empresas que é necessário mitigar”.

 

Crise do coronavírus vai fazer baixar os preços do imobiliário?

 

Durante a conferência online, organizada pela Vida Imobiliária, quem estava a assistir tinha a oportunidade de colocar questões que seriam respondidas pelos especialistas presentes. Uma delas foi se a crise que o coronavírus está a provocar vai fazer baixar os preços do imobiliário. E as respostas foram todas no mesmo sentido.

 

“Admito que haja um decréscimo dos preços. As crises são sempre boas para haver novas oportunidades. E quem tiver cash é quem vai ganhar com esta crise. Porque vai poder continuar mais depressa a retoma da sua atividade e, por outro lado, ajudar quem tenha dificuldades e aproveitar a descida de preços”, defendeu José Araújo, diretor da Direção de Crédito Especializado e Imobiliário do BCP.

 

Pedro Vicente, administrador da Habitat Invest, diz-se preocupado com “os efeitos da queda do turismo”, que serão “nocivos”. “Estamos convencidos que esta crise poderá conduzir a uma suavização mais acelerada dos preços, que já vinha a ser sentida. Há uma perda de interesse de alguns clientes, que mantêm esse interesse, mas querem ver a crise ultrapassada. Mas sim, o turismo vai contribuir para esse abrandamento”, sublinhou.

 

Por sua vez, o CEO da Century 21 defende que “é precipitado tomar alguma visão de meio ou longo prazo sem conhecer a realidade e a duração do período de contenção”. “O mais realista e prudente é esperar uma moderação de preços”, rematou Ricardo Sousa.

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