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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Além das visitas virtuais, digitalizar o processo desde o primeiro passo até fechar o negócio, sem necessidade de contactos pessoais, é o objetivo da Keller Williams, que formou a todo o gás 1700 'consultores digitais' a nível nacional para este efeito.

O imperativo de "distância social" com a pandemia do novo coronavírus, que vai "afetar Portugal durante os próximos tempos", levou o grupo imobiliário Keller Williams a acelerar a tecnologia de virtualização no processo de compra de casas que está a ser desenvolvida na casa-mãe da empresa nos Estados Unidos, desde há quatro anos, envolvendo investimentos de mil milhões de dólares, para a qual Portugal foi eleito como um dos primeiros países a adotar este modelo digital.

 

Prepara-se, assim, para chegar mais rapidamente a Portugal a plataforma 'made in USA' que permite aos agentes imobiliários estar em contacto direto com os clientes via digital, incluíndo visitas às casas com efeitos reais e informação relevante sobre todo o bairro à volta, digitalizando todos os passos envolvidos na compra de casas, de forma a evitar a necessidade de contactos pessoais.

 

Mais de 1700 agentes imobiliários da empresa em Portugal passaram a funcionar como 'consultores digitais", segundo anunciou a Keller Williams esta sexta-feira. A figura do 'consultor digital' resulta de "uma abordagem estruturada, apoiada em tecnologia, formação e marketing que vamos proporcionar aos nossos consultores, e que lhes vai permitir que sejam os mais bem preparados do mercado neste contexto de distanciamento social", explicam Nuno Ascensão e Eduardo Costa, responsáveis da Keller Williams em Portugal.

 

"Vamos digitalizar os passos desde o primeiro contacto até ao fecho do negócio", avançam os responsáveis da Keller Williams Portugal, frisando que a tecnologia de aproximação virtual do consultor ao cliente que está a ser desenvolvida nos últimos quatro anos representa um "conceito vencedor no presente e futuro deste mercado”.

 

Lembrando que "neste momento, já é possível efetuar angariações, visitas e 'open houses' virtuais", os responsáveis da empresa a nível nacional adiantam ter em curso um plano intenso de formação com "uma abordagem de marketing diferenciadora" numa "rápida reação" ao impacto do Covid-19. “Durante as próximas semanas vamos ter um intenso programa de formação para formar os nossos mais de 1700 consultores e iremos progressivamente acrescentar mais serviços de proximidade digital”, salientam.

 

"O mercado imobiliário não está parado, mas está 'adormecido' por causa do imperativo do distanciamento social", destacam os responsáveis da Keller Williams Portugal, relativamente à situação que o sector vive com o Covid-19.

 

"Os clientes que pretendem comprar ou vender estão na expectativa, sem saber o que fazer", o que é "consequência da perspetiva atual dos clientes de que o processo de compra e venda de casa requer um elevado número de contactos pessoais com todas as pessoas envolvidas no processo e, isso está a tornar-se um fator inibidor de atuação por parte destes", explicitam Nuno Ascenção e Eduardo Costa - dando aqui a garantia que a tecnologia permite aos consultores da empresa "digitalizar ao máximo o seu serviço, desde o primeiro contacto até à conclusão do negócio, para garantir um mínimo de interações pessoais entre todos os intervenientes no processo de compra e venda".

 

Esta tecnologia também é apontada como "o caminho para os consultores 'regressarem à 'normalidade' e poderem rapidamente atingir os mesmos níveis de produtividade que tinham antes da crise do COVID-19”. Portugal já tinha sido escolhido como um dos primeiros países para adotar a solução tecnológica da Keller Williams, mas o "imperativo de distância social" fez acelerar todo o modelo digital que estava em desenvolvimento.

 

"Desde que foi decretado o estado de emergência, a empresa tem estado há duas semanas a testar protótipos de funcionamento virtuais como ferramentas de trabalho", afirmam os responsáveis da Keller Williams, referindo que os seus 26 'Market Centers' desenvolveram modelos "para organizar angariações de imóveis não físicas assim como visitas e open houses virtuais aos imóveis". E concluem que face ao investimento de mil milhões de dólares nos últimos anos virado para a virtualização da compra e venda de casas, "a Keller Williams preparou-se para um momento como este".

 

97,4% DAS IMOBILIÁRIAS NACIONAIS COM O NEGÓCIO A CAÍR

 

A nível nacional, 97,4% das imobiliárias em Portugal declaram ter quebras de procura desde o início de março, segundo um inquérito da APEMIP ( Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária em Portugal) sobre os impactos do Covid-19.

 

O inquérito da APEMIP, de 27 de março, revela ainda que em 78% das imobiliárias registaram desde o início do mês desistências de compra de casas, e que 20,5% viram os clientes a desistir do negócio mesmo depois da assinatura do contrato de promessa de compra e venda.

 

Em março, 55% das imobiliárias nacionais tiveram escrituras canceladas, 76,4% tiveram de suspender a atividade parcialmente, e para 8% dos casos na totalidade, conforme também revelam os resultados do inquérito realizado pela associação.

 

“Estes números demonstram que a atividade está praticamente parada", constata Luís Lima, presidente da APEMIP, enfatizando que "a grande maioria das empresas suspendeu a sua atividade, indo ao encontro da regulamentação e aplicação do estado de emergência decretado".

 

"Por mais criativas que as empresas possam tentar ser, aderindo a novas plataformas tecnológicas para fazer visitas virtuais, este é um negócio que só se realiza com pessoas e com visitas", frisa o presidente da APEMIP, sustentando que "ninguém compra uma casa vendo só as suas fotografias e vídeos na internet", e que "o sector está praticamente parado, não há teletrabalho ou take away que nos ajude a resistir”.

 

Luis Lima teme que a grande maioria das empresas do sector não consigam recorrer à linha de crédito de 200 milhões de euros anunciada pelo Governo, um objetivo que está na mira de cerca de metade das imobiliárias nacionais, de acordo com o inquérito da APEMIP.

 

“Todos os dias nos chegam relatos de empresas a quem foi recusado o recurso a esta linha por não reunirem os requisitos ou por terem dificuldade em atestá-los", refere Luís Lima, frisando ser "difícil manter o otimismo quando ouvimos o desespero dos empresários, que não sabem que caminhos tomar e é difícil aconselhá-los quando a incerteza sobre o dia de amanhã é constante”.

 

O apelo da associação imobiliária é que o Estado considere "medidas específicas" para este sector, "que não tem alternativas para operar perante a situação de emergência que o país vive", e do qual dependem diretamente 40 mil famílias.

 

Lembrando que a abrangência do decreto do Governo para regulamentar a atribuição das moratórias pelo sector financeiro "não é total", ou seja, "não pode ser acedido por todas as pessoas ou empresas", o presidente da APEMIP defende que "cada banco poderá então, por si, ir mais longe em termos da flexibilidade daquilo que se dispõe a oferecer aos seus clientes". Dá como o caso positivo a iniciativa do banco Santander "que foi além das medidas governamentais neste período inédito" e avança esperar "que outras instituições financeiras sigam o exemplo".

 

“Não queremos esmolas, queremos sim soluções que possam ajudar as nossas empresas a sobreviver neste momento em que não conseguem faturar e têm compromissos para assumir", resume o presidente da APEMIP.

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