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Lisboa e Algarve têm previsões de aumento da intensidade turística de 33% e 25% até 2020, respectivamente, mas se na capital portuguesa esse crescimento é "positivo", na região algarvia causa "mais pressão" sobre os recursos, alertou esta terça-feira um investigador.

Luís Nobre Pereira é professor na Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo da Universidade do Algarve (UAlg) e coordenador do projecto "ShapeTourism", financiado pela União Europeia e com parceiros de várias regiões do Mediterrâneo, e disse à agência Lusa que estes valores têm de ser encarados de forma distinta, porque Lisboa e o Algarve estão em estádios diferentes do seu ciclo de vida como destinos turísticos.

 

O projecto "ShapeTourism" analisou a evolução da intensidade turística (relação entre a quantidade de turistas e a população residente) desde o ano 2000 e fez estimativas de crescimento para 2020, mas Luís Nobre Pereira referiu que "o nível óptimo da intensidade turística depende das condições específicas de cada região" e que o que este trabalho proporciona é "informação para os decisores poderem tomar opções mais sustentáveis e responsáveis" e evitarem perda de qualidade de vida nos destinos.

"O crescimento que se prevê ao nível da intensidade turística em Lisboa, do meu ponto de vista, é positivo, porque Lisboa encontra-se ainda numa fase, em termos de intensidade turística, que é mais baixa, bastante mais baixa, do que o Algarve", considerou o investigador da UAlg, frisando que "em Lisboa há seis dormidas por residente, enquanto o Algarve está nas 47".

Luís Nobre Pereira disse que a previsão de crescimento para a área metropolitana da capital portuguesa "não parece preocupante", porque se prevê um crescimento "na ordem dos 33%, passando de seis para oito dormidas por residente em 2020".

"Mas mesmo assim continuamos bem longe das 47 do Algarve", sublinhou, apontando a região de Mikonos, Santorini e Rodes, na Grécia, como aquela que tem a "intensidade turística mais elevada", alcançando as "71 dormidas por residente", pressão que já é vista com "excessiva".

O investigador precisou que no Algarve a intensidade turística, "em 2020, pode chegar às 59 dormidas por residente" e que, quando "se compara com regiões costeiras do mediterrâneo", o território algarvio "não está tão afastado quanto isso".

"O que coloca aqui aos decisores desafios para que o crescimento que possa ocorrer na procura turística não exerça uma pressão que seja prejudicial para os recursos", afirmou, frisando que o projecto "ShapeTourism" contou com a parceria de universidades de Itália, Croácia, Espanha, Eslovénia ou Chipre e "harmonizou" a informação existente nestes países, que "não era comparável" até aqui.

Com esta informação, que está disponível no portal do projecto na internet, os decisores têm uma base comum para tomarem "medidas que promovam sustentabilidade" nesses destinos, apesar do aumento da intensidade turística, disse ainda o coordenador do projecto.

Entre essas medidas pode estar a criação de ofertas em áreas mais afastadas da costa, a criação de um manual de boas práticas de sustentabilidade para as empresas ou a limitação do acesso de turistas áreas sensíveis e ameaçadas com a pressão, exemplificou.

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