NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A principal região produtora de espumante em Portugal quer criar condições para crescer nos mercados externos.

A Comissão Vitivinícola da Bairrada (CVB) está apostada em tirar partido do crescimento do mercado mundial de espumantes, que vale quase cinco mil milhões de euros e cresce a dois dígitos ao ano, mas, no qual, Portugal tem uma quota quase irrisória, na ordem dos 0,3%. E, por isso, espera concretizar este ano, no segundo semestre, uma pretensão antiga, a criação de um centro de investigação de espumantes.

 

“Não temos qualquer hipótese de competir no mercado mundial se não definirmos bem o que é um espumante da Bairrada e até o que é um espumante português, porque a confusão é enorme”, diz Pedro Soares, presidente da CVB. Mais de 60% dos vinhos espumantes nacionais são produzidos na Bairrada, que vende 6,5 a 7 milhões de garrafas anuais. Mas nem todas são produzidas com uvas da região e, por isso, nem todas são certificadas.

 

Na verdade, em 2017, esta tipologia de vinho certificado pela Comissão Vitivinícola da Bairrada ultrapassou, pela primeira vez, a fasquia dos dois milhões de garrafas, crescendo 22% face ao ano anterior. “Temos vindo a incentivar à espumatização dentro das regras de certificação da Bairrada, garantindo, assim, que há um valor acrescido que fica na região”, explica Pedro Soares. Os vinhos certificados na Bairrada cresceram, o ano passado, 18% para um total de 7,1 milhões de garrafas.

 

As exportações valem cerca de 24% da produção, mas assentam, essencialmente, em vinhos tranquilos. Os espumantes pesam, apenas, 10%. “O mercado mundial está muito conceptualizado em torno do Champanhe francês, do Prosecco italiano ou do Cava espanhol. Nos espumantes genéricos não somos competitivos. E só o seremos no dia em que conseguirmos construir uma marca com força”, defende o presidente da CVB.

 

A comissão está já a trabalhar com uma consultora inglesa para “perceber onde e que tipo de espumantes” pode a região vender lá fora. “No mundo vitivinícola estão reservada três a cinco castas para a produção de espumante, nós temos mais de 25, o que cria uma enorme confusão no consumidor. Quem compra, compra muito pela marca coletiva e não pela privada e por isso estamos a fazer este trabalho de benchmarking no mercado inglês, que é uma montra dos vinhos a nível mundial, para perceber onde devemos apostar”, acrescenta.

 

A casta Baga, uma casta tinta da qual é possível fazer espumantes brancos, a exemplo da francesa Pinot Noir, é uma das grandes apostas da região. “Queremos construir à volta do espumante a locomotiva que possa puxar a região como um todo. Temos 130 anos de bem saber fazer espumantes, o consumo a nível mundial cresce a dois dígitos ao ano, acreditamos que é uma oportunidade que deve ser explorada”, acrescenta.

 

Se em Inglaterra procuram saber o que interessa ao consumidor, em Portugal a aposta é na aquisição de conhecimento. E o tão ansiado centro de investigação arranca este ano. “Será um centro de aquisição de competências na viticultura, enologia, economia e marketing, onde será feita a investigação e a experimentação. Uma instituição que possa dar resposta às necessidades das empresas”, diz José Pedro Soares.

 

O objetivo é que arranque no segundo semestre, em parceria com a autarquia da Anadia e a Rota da Bairrada. Contará com o apoio do Biocant e de várias universidades, designadamente a de Aveiro, instituições com as quais a comissão tem já procurado estudar os solos, as castas e a economia vitivinícola local.

Partilhar