No dia em que o grupo automóvel francês PSA Peugeot Citröen anunciou a intenção de cortar mais de oito mil postos de trabalho em França, as cinco fábricas portuguesas assumiram ter registado uma quebra na produção, no primeiro semestre, de 4,6%. De acordo com dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), saíram das linhas de produção da Autoeuropa, Peugeot Citröen de Mangualde, Mitsubishi Fuso Truck, Toyota Caetano e V.N. Automóveis um total de 96.921 unidades.
A recessão económica que atinge o continente europeu justifica esta quebra na produção automóvel em Portugal, que depende deste mercado em termos de vendas. Em declarações ao Diário Económico, o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, salientou que as exportações caíram 5% "numa altura em que o mercado europeu está estagnado", o que penaliza as fábricas portuguesas. De acordo com o mesmo responsável, apesar de as empresas estarem "a diversificar os mercados de destino para Ásia, em que se destaca a China, o mercado europeu, sobretudo Alemanha e Espanha, ainda são os principais destinos da produção nacional".
Os 27 países da União Europeia absorveram 71,8% do total das exportações de carros, sendo que a Alemanha recebeu 23%, seguida da França com 15,8% e o Reino Unido com 7,3%.
Segmento de pesados cresce
A única unidade fabril portuguesa a registar crescimento foi a V.N. Automóveis, com mais 67,5%, o que se reflecte no aumento de 26,3% verificado no segmento de veículos pesados.
A fábrica da PSA Peugeot-Citrõen de Mangualde registou a maior quebra, de 11,2%, num semestre em que passou a trabalhar apenas em dois turnos, como estratégia para fazer face à diminuição das encomendas. A VW Autoeuropa, a maior unidade fabril portuguesa, também não escapou a este cenário de queda e, entre Janeiro e Junho, produziu menos 2,7% face ao mesmo período de 2011.
Nas linhas de montagem da Mitsubishi Fuso Truck, no Tra-magal, foram produzidos menos 3,3%, enquanto na Toyota Caetano a produção caiu 2,9%.
No que se refere apenas ao mês de Junho, foram produzidos 13.907 carros, o que traduz um decréscimo de 17,6%, com a forte queda no segmento de ligeiros de passageiros de 10,6%.