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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Pedro Reis escreve sobre a importância da diplomacia económica para dinamizar empresas e exportações.

Na temática estimulante e infindável da abordagem ao tema da internacionalização das empresas (e da economia como um todo) há múltiplos aspetos que interessa considerar quando se aprecia o caso genérico e, por maioria de razão, quando se escalpeliza um caso em particular em que ainda são maiores as suas derivadas de forma a se acomodar as respetivas especificidades.

 

Isto para dizer que de seguida apenas se referem alguns ângulos dessa interessante agenda tendo-se optado por agrupá-los em dois blocos: (i) os ingredientes que geralmente se encontram presentes em muitos dos processos de internacionalização levados a cabo com sucesso e (ii) o receituário muitas vezes aplicado pelos países para conceber uma abordagem abrangente e articulada ao desafio de abertura das suas economias.

 

Quanto ao primeiro bloco, procurando não introduzir rigidez na “receita” genérica para não ser desmentida pela aplicabilidade específica a casos concretos, apontaria alguns aspetos recorrentes nos exportadores de sucesso: desde logo, a maioria deles demonstra ter particular capacidade de foco geográfico e setorial para definir prioridades evitando assim entrar em vários mercados e com vários produtos em simultâneo: no fundo não se dispersam nem se distraem do objetivo principal.

 

Estas exportadoras também demonstram saber desenhar e regar parcerias quer internas no mercado doméstico quer externas nos mercados “de chegada” para acelerarem a sua aprendizagem ao longo da curva de experiência da sua internacionalização de forma a mitigarem a matriz de riscos potenciais que sempre espreita nestes processos.

 

Para tal asseguram sempre que, antes de se lançarem nos mercados externos, têm a necessária escala para tal empreitada e têm a suficiente capacidade financeira e as devidas reservas de capital com “folga” suficiente para absorverem choques e imprevistos da mais diversa ordem que, impreterivelmente, fazem tantas vezes derrapar o plano de negócios inicial.

 

Para assegurar uma sólida base de partida as exportadoras que vingam fazem assim o “trabalho de casa” prévio apostando num research sólido e em analytics robustos para dissecarem os mercados muito antes de neles investirem: na prática, procuram que haja o mínimo de surpresas quando desembocam em novos mercados.

 

Por fim e pela minha experiência nomeadamente enquanto presidente da Aicep, pude constatar em direto e pelo mundo fora que os nossos casos de maior sucesso apostaram quase sempre numa combinação ganhadora entre a sua oferta e a sua postura: qualidade, inovação, diferenciação e talento.

 

Já quanto a políticas públicas de promoção das exportações e da internacionalização das empresas, há certos aspetos que me parecem fundamentais de cuidar e, acima de tudo, de preservar ao longo do tempo (atravessando várias legislaturas) de forma que esses pilares que se querem sólidos não sejam características etéreas que espelham opções passageiras de um mandato isolado mas sim paradigmas resistentes a refletir um retrato genético de um País em constante maturação e evolução.

 

O primeiro eixo que apontaria nesta frente é o que se prende com uma diplomacia económica ativa: por aqui passa muita da nossa capacidade de colocar o Estado ao serviço das nossas empresas, de dar peso institucional à agenda privada que contribui para o bem comum e de assegurar (via um acesso transparente e indiscriminado) às nossas empresas condições de igualdade competitiva face à agressiva concorrência externa que elas enfrentam.

 

Um barómetro apropriado para se medir a intensidade e a eficácia do esforço de diplomacia económica (além, naturalmente, do próprio aumento das exportações, do investimento direto externo e do investimento direto português no exterior) é tirar a temperatura à intensidade e eficácia dos roadshows que fazemos pelo mundo fora bem como à frequência e resultados concretos das missões inversas que trazemos ao nosso País.

 

Se o primeiro eixo tem tudo a ver com “dinâmica”, o segundo eixo tem tudo a ver com “estabilidade”: defendo uma estabilidade na politica externa “económica e comercial” pois demora anos a construir relações confiáveis entre Estados e uma estabilidade no posicionamento que se quer construir e fazer passar para trabalhar a forma como a nossa “marca País” é percecionada no exterior.

 

Importa por fim cuidar com carinho especial do aspeto institucional na abertura da nossa economia: ou seja, cuidar que as agências que dela cuidam estão bem sintonizadas entre si, estão bem apetrechadas em termos orçamentais e bem munidas de talento, têm boas bases de inteligence e têm excelente presença física numa miríade de mercados estratégicos além de terem condições propícias para se articularem com todo o tipo de stakeholders: desde as suas congéneres internacionais até todo o vasto leque de prescritores e de scouters de investimento por esse mundo fora.

 

Se o caminho de Portugal for o da sua crescente internacionalização, o seu destino estará devidamente assegurado e o nosso futuro estará portanto felizmente acautelado.

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