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CABEÇALHO

Os efeitos da guerra comercial entre a China e os EUA penalizou as exportações do país asiático. Só para os EUA, as exportações chinesas caíram 9,7% entre janeiro e abril.

As exportações da China diminuíram, em abril, numa altura em que as fricções comerciais com Washington se agravam, enquanto as importações aumentaram, reduzindo o crónico superávite do país asiático.

 

Os dados sobre a balança comercial chinesa foram anunciados nas vésperas de Washington aumentar as taxas alfandegárias sobre o equivalente a 200 mil milhões de dólares (178,4 mil milhões de euros) de bens importados da China.

 

As exportações chinesas caíram 2,7%, em relação ao mesmo mês do ano passado, para 193,5 mil milhões dólares (172 mil milhões de euros), depois de terem subido 14,2%, em março, segundo os dados difundidos pelas alfândegas do país.

 

As importações subiram 4%, para 179,6 mil milhões de dólares (160 mil milhões de euros), após o declínio de 7,6%, registado no mês anterior, num sinal de que os esforços do Governo chinês para estimular o consumo interno estão a surtir efeito.

 

Entre janeiro e abril, as exportações para os Estados Unidos caíram 9,7%, em termos homólogos, refletindo os efeitos da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

 

No mesmo período, as importações de produtos norte-americanos caíram 30,4%, após Pequim ter aumentando as taxas alfandegárias e ordenado as empresas do país a reduzir as compras ao país, em retaliação.

 

Os governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.

 

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

 

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

 

Os exportadores americanos foram os mais atingidos pelas disputas comerciais, mas as indústrias chinesas consideradas chave nos planos de desenvolvimento de Pequim, incluindo o setor tecnológico, sofreram quedas de dois dígitos nas exportações para os EUA.

 

Os dois países estão em negociações desde que, em dezembro passado, acordaram um período de tréguas, que foi entretanto prolongado, visando chegar a um acordo.

 

No entanto, no domingo passado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os EUA vão aumentar as taxas alfandegárias, na sexta-feira.

 

“Durante dez meses, a China pagou taxas alfandegárias aos Estados Unidos de 25% sobre 50 mil milhões de dólares [44,6 mil milhões de euros] de [bens] tecnológicos, e 10% sobre 200 mil milhões de dólares de outros bens”, escreveu Trump, na rede social Twitter.

 

“Os 10% vão ser aumentados para 25% na sexta-feira”, acrescentou.

 

Os EUA acusam Pequim de tentar renunciar a compromissos assumidos em conversas anteriores.

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