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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

"A marca Portugal é pouco conhecida no exterior", avisou Pedro Reis, CEO do BCP Capital, durante uma intervenção na conferência organizada pela Centromarca - Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca.

Em entrevista à "Vida Económica" à margem do evento, que decorreu no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, o ex-presidente da AICEP afirmou que é preciso "dar músculo à promoção" do país. Para tal, tem de haver "um reforço do orçamento público no apoio que a AICEP dá à internacionalização das empresas e à captação de investimento externo".

Vida Económica - Na conferência da Centromarca fez questão de falar da marca Portugal, dizendo que é pouco conhecida lá fora e que, sem orçamento adequado, não se conseguem bons resultados. O que é que falta fazer?


Pedro Reis - Referi a dicotomia que existe entre a marca Portugal e as marcas portuguesas, para defender um reforço das verbas junto das agências e dos institutos públicos que ajudam a promover a nossa imagem externa e a consolidar o nosso posicionamento estratégico enquanto país e enquanto economia aberta ao exterior. Nesse sentido, penso que seria muito bem empregue um reforço do orçamento público no apoio que a AICEP dá à internacionalização das empresas e à captação de investimento externo. Bem como é sempre importante dar músculo à promoção feita pelo Turismo de Portugal e pelo [Instituto] Camões na divulgação da estratégia nacional nas respetivas frentes de trabalho.

VE - Como sabe, Miguel Frasquilho vai sair da AICEP no final do mandato. Tendo em conta os desafios que se perfilam para Portugal, que perfil deverá ter o próximo presidente da Agência?


PR - Não me cabe a mim definir o perfil do presidente da AICEP. Cabe-me apenas desejar que a grande casa que é a AICEP tenha excelentes presidentes para estar à altura dos seus quadros tão válidos e tão dignos de elogios. E, ainda, para estar à altura do que as nossas exportadoras e os investidores precisam e exigem para nos ajudarem a todos a colocar Portugal novamente na rota do crescimento sustentável e robusto.

VE - Crê que haja condições de, a médio prazo, atrair investimento direto estrangeiro relevante para Portugal?


PR - Penso que Portugal tem condições únicas para atrair investimento direto estrangeiro. Entre outros fatores de atratividade sublinharia o seu posicionamento geoestratégico, crescentemente importante face às alterações no palco internacional que temos vindo a assistir. Destacaria também a força e a competência dos nossos recursos humanos, a qualidade das nossas infraestruturas logísticas e de comunicação, os excelentes parceiros em inúmeras cadeias de valor que os investidores estrangeiros podem encontrar nas empresas portuguesas, a segurança e a qualidade de vida do nosso território, etc.
Assim nós saibamos, como país, cuidar dos aspetos que ainda carecem de melhorias, entre os quais destacaria os seguintes: menos burocracia, mais estabilidade e competitividade fiscal e uma justiça com mais recursos para ser mais célere.

VE - Nesta conferência também falou da capitalização das empresas. Como sabe, o Governo acaba de lançar algumas medidas e tem outras planeadas. Parecem-lhe suficientes?


PR - Da informação que consegui obter sobre as propostas da Unidade de Missão de Capitalização das Empresas, parece-me que as mesmas, de um modo geral, vão no bom caminho. Tudo o que contribua para reforçar o capital das empresas portuguesas, particularmente das exportadoras, para as quais a escala é um dos ingredientes essenciais para o sucesso do processo de internacionalização, é crucial para acelerar o crescimento das mesmas e da economia portuguesa. E para ganhar escala há que encontrar estímulos à capitalização das empresas, sejam eles via incentivos fiscais, via instrumentos de capitalização inovadores, sejam ainda via reforço do ecossistema de capital de risco inclusive em parceria entre o setor publico e privado.

VE - A capitalização não está separada do acesso ao financiamento, que é sempre uma questão sensível para as empresas. Parece-lhe que o acesso ao crédito está hoje mais facilitado e mais barato?


PR - Penso que existe hoje um consenso alargado na comunidade empresarial portuguesa de que os bons projetos (no sentido de sustentáveis) têm acesso a financiamento em condições competitivas, não havendo qualquer constrangimento desta natureza para quem apresente estratégias bem suportadas e racionais.

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