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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Durante as últimas três semanas publicámos aqui e na edição impressa do Expresso uma série de artigos sobre as exportações portuguesas.

Demos-lhes estatísticas e opiniões de especialistas em várias áreas sobre o estado do sector em tempo de pandemia e o que se pode esperar para os próximos meses e para 2021. E os números podem ser “decepcionantes”, como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, referiu no Portugal Exportador esta quarta-feira, mas as expectativas para a recuperação são optimistas. Porque, como afirma o presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, “os factores de atractividade do país e o talento não foram afectados pela pandemia”. E também porque há vários casos de sucesso.

 

Um deles é a DFJ Vinhos, uma produtora da Região de Vinhos de Lisboa fundada em 1998 e que, atualmente, exporta 99% da sua produção para 50 países, a maior parte (30%) para a União Europeia, mas também uma fatia significativa para os países nórdicos (26%) e para os EUA (21%).

 

Segundo conta ao Expresso o fundador e presidente da empresa, o enólogo José Neiva Correia, o covid-19 passou um pouco ao lado da actividade da empresa. Não só nunca deixaram de trabalhar, mesmo nos meses de confinamento, como conseguiram reforçar um dos seus principais mercados, neste caso a Noruega, e através de vendas para clientes que operam online. Além disso, investiram numa nova máquina rotuladora e numa nova plataforma. Esta última, não só para que os trabalhadores possam estar mais afastados e respeitar as actuais regras de segurança sanitária, mas também para aumentar a produção em mais quatro milhões de litros.

 

A tudo isto junta-se o reforço que já tinham feito no volume dos produtos exportados para o Brasil, “antes do covid”, e os resultados são positivos. Entre setembro de 2019 e setembro de 2020, o número de garrafas vendidas cresceu 28% para 7,4 milhões, e a facturação aumentou 30,6% para €11,8 milhões. Mais, no final deste ano a expectativa é chegar aos 10 milhões de garrafas vendidas e, em 2021, aos 15 milhões, antecipa José Neiva Correia.

 

Com 71 anos, considera-se um optimista bafejado pela sorte. “Há uma coisa muito importante que é ter sorte e eu sou uma pessoa que nasceu com sorte”, conta. Mas há também conhecimento técnico e trabalho. De 1998 até agora, José Neiva Correia - que chegou a ser enólogo de 10% da produção nacional - construiu uma empresa que produz 110 vinhos de 30 marcas diferentes em 250 hectares de vinhas situadas na região de Lisboa. Produtos que, “de 2010 a 2020 ganharam 3614 prémios e 990 medalhas de ouro”, diz, de cabeça. “E em 2020 já ganhámos 419 prémios. Até agora”.

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