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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Urge corrigir a situação promovendo a criação de um plano anual consensualizado com a AICEP, centros de l&D e respetivos ministérios e parceiros económicos.

É de salientar e de reconhecer a excelência do trabalho que diversos atores do mar, coletivos e individuais têm vindo a desenvolver para afirmar além-fronteiras uma diplomacia estratégica e política do mar português, destacando-se o Ministério do Mar e as suas estruturas de apoio, o LEME - Barómetro PwC da Economia do Mar, entre outros atores que ainda podia indicar.


Assim, é um dever dar-lhe a devida relevância, pois tem sido através deste percurso que Portugal persistente e afirmativamente tem reivindicado, junto dos parceiros internacionais, a necessidade de os mares e oceanos terem uma abordagem holística, articulada, global e cola- boraliva entre os diversos países.


Todas estas intervenções têm uma linha em comum, são naturalmente sustentadas perante os nossos parceiros internacionais, tendo como referência a política pública portuguesa para o mar, a qual, como sabemos, assenta na visão holística vertida na Estratégia Nacional para o Mar, onde é proposto um desenvolvimento transversal, mul- tissetorial, inclusivo e sustentável, através de uma articulação cola- borativa, a qual procura ser incessantemente estabelecida com outros atores e ministérios e tem como um dos espaços de diálogo e concertação a Comissão Interministerial para os Assuntos do Mar (CIAM).


É tudo isto que nos torna um ponto focal de boas políticas públicas e de estratégia para o desenvolvimento da governança, do conhecimento, da educação, da cultura e da economia dos mares e oceanos.


No entanto, é com profundo lamento que se verifica que este caminho estruturado, contínuo e de sucesso não foi seguido para se estabelecer e afirmar uma diplomacia internacional económica ou científica.


A ausência de um planeamento de curto e ou médio/longo prazo capaz de promover e divulgar no plano internacional o conhecimento, inovação e investigação aplicada, empresas, start-ups e spin-offs existentes, determinar um maior aproveitamento dos recursos existentes, melhorar a capacidade exportadora, salvaguardar a especificidade e a marca "Mar de Portugal" é uma grande lacuna, pois seria certamente uma mais-valia para o mar português.


Este facto tem sido determinante para que as empresas, startups e spin-offs portuguesas continuem no anonimato, impedindo-as de potenciar a sua atividade junto do mercado internacional associado ao mar e de se tornarem empresas com maior capacidade de exportação, excetuando-se desta realidade as da indústria da fileira do pescado, que devido ao empenho da sua associação Fileira do Pescado têm participado em feiras internacionais com regularidade, garantindo deste modo uma excelente proje- ção da sua atividade, decisiva para o crescimento constante e o aumento da capacidade exportadora.


Pelo que urge corrigir a situação amai promovendo a criação de um plano anual consensualizado com a AICEP, centros de I&D e respeti- vos ministérios, parceiros económicos (empresas, startups e spin- offs) em que a oportunidade de par- ticipar em feiras e eventos internacionais dos nossos stakehol- ders esteja assegurada.


Um plano destes é fundamental para que as capacidades da indústria, atividade criativa e inovadora portuguesa do mar sejam conhecidas e potenciadas. Os bons resultados obtidos com a participação recente de uma missão portuguesa na Nor-Shipping é o exemplo da necessidade de se organizarem outras participações que projetem e ampliem as capacidades da marca "Mar de Portugal".


* Gestor e analista de politicas públicas. Escreve quinzenalmente à sexta-feira

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