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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Se a mudança tecnológica for acelerada conseguiremos, como seres humanos, evoluir à mesma velocidade? Ninguém sabe.

Quando falamos em futuro do trabalho, só há uma certeza: a de que nada é certo. Num passado muito recente, começaram-se a verificar grandes mudanças de paradigma no mercado e surgimento de novas tendências. A automatização (robôs, inteligência artificial e outras novas tecnologias), tem-se desenvolvido a alta velocidade, provocando um significativo impacto em vários setores.

 

Em relatório do ano passado (“Oito Futuros do Trabalho – Cenários e suas Implicações”), o Fórum Económico Mundial considerou vários cenários relacionados com o futuro do trabalho até 2030, apresentando resultados possíveis com base em diferentes combinações de três variáveis-chave: a mudança tecnológica e o seu impacto nos modelos de negócio (estável ou acelerada); a evolução da aprendizagem entre a força de trabalho atual e futura (lenta ou rápida); e a magnitude da mobilidade de talento entre as geografias (baixa ou alta).

 

Acredito que a mudança tecnológica será acelerada, o que já invalidaria quatro dos oito cenários apresentados. Já a evolução da aprendizagem será lenta, uma vez que o sistema de ensino não terá a capacidade de se revolucionar tão rapidamente – embora existam algumas alternativas interessantes que começaram a surgir, como é o exemplo do Elon Musk (fundador da Tesla e da SpaceX), que decidiu elaborar um plano especial de educação para os seus filhos, criando a pequena escola privada Ad Astra, que rompe com o estilo tradicional das salas de aula e valoriza a ciência, a matemática, a engenharia, a robótica e a inteligência artificial.

 

Das três variáveis acima enunciadas, penso que a mobilidade de talentos é a menos problemática, muito devido ao crescimento da flexibilidade no trabalho, nomeadamente o trabalho remoto. Diria, portanto, que os dois cenários mais prováveis são: “Domínio dos Robôs” e “Mundo Polarizado”.

 

No primeiro cenário, a falta de talento para as novas funções emergentes levará à crescente pressão para uma maior automatização e a robótica e os algoritmos começarão a fazer a maior parte da produção e distribuição mundial. As tentativas de controlar a agitação social concentrar-se-ão nos esforços para manter os empregos “em casa”, através de fronteiras controladas entre cidades, Estados e países.

 

No segundo cenário, juntam-se à maior automatização, movimentações de pessoas em grande escala, dentro de cidades, regiões e países, numa busca desesperada por oportunidades.

 

Independentemente do cenário que se venha a verificar, penso que a evolução levará a crescentes e graves desigualdades, sociais e económicas. Esta é a grande questão: se a mudança tecnológica for acelerada conseguiremos, como seres humanos, evoluir à mesma velocidade? Ninguém sabe. Mas eu acredito que a tecnologia – a grande causa destes cenários – possa também ser a chave para a sua resolução.

 

Para além de proporcionar a criação de novos tipos de trabalho e novas funções laborais, a tecnologia pode ainda ser a solução para acelerar a aprendizagem do ser humano e criar mais trabalho remoto, amenizando os impactos relacionados com a grande transformação que se verifica no mercado. O truque? Antecipá-la e saber usá-la a nosso favor.

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