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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O IHS Markit publicou ontem o índice das vendas de construção para o mês de Junho que se fixou nos 43.1, o valor mais baixo desde abril de 2009.

O índice foi bastante inferior ao projetado pela Thomson Reuters que apontava para 49.3 em Junho. Igualmente, o valor distancia-se negativamente do mês de maio, no qual o índice foi de 48.9.

 

O índice tem por base as respostas de executivos do setor a um inquérito conduzido pela empresa mensalmente e qualquer valor abaixo de 50 significa que os empresários reportaram uma contração das vendas.

 

Todas as áreas do setor da construção – construção de casas, comercial e engenharia civil – registaram quebras acentuadas na atividade, o que “revela um enfraquecimento do setor da construção britânica como um todo” segundo Tim Moore, diretor na IHS Markit.

 

Até maio, a construção de casas era o setor mais activo dos três mas em junho foi a componente que registou a maior quebra, a maior dos últimos três anos. A componente comercial por sua vez é a que tem o pior desempenho e caiu pelo sexto mês consecutivo. Igualmente, o índice para a engenharia civil apresentou o valor mais baixo desde outubro de 2009.

 

Os inquiridos apontaram com “frequência a incerteza sobre o Brexit e os subsequentes atrasados no arrancar dos projectos” como uma das principais razões para a quebra observada na atividade do setor segundo o IHS Markit.

 

O inquérito debruça-se igualmente sobre as expectativas dos empresários sobre futuras encomendas. Esta medida apresentou a maior queda da última década, ao passo de que a procura por produtos de construção e materiais tem vindo a cair a uma taxa cada vez maior desde 2010, ambos maus sinais para a indústria da construção.

 

Jonathan White, diretor do departamento de infraestruturas, edifícios e construção na KPMG no Reino Unido, comentou as figuras de Junho dizendo que “são sintomáticas de que as empresas estão a retrair-se no que diz respeito a grandes gastos, evidenciando o subjacente clima de indecisão que não se prevê dissipar num futuro próximo”.

 

Este índice foi publicado um dia depois dos dados britânicos sobre a indústria terem mostrado que o produto caiu para o nível mais baixo desde 2013. Complementarmente, o INE britânico mostrou que a produção na construção caiu em março e em abril face aos meses imediatamente anteriores.

 

Todos estes indicadores sobre o setor são relevantes dado que o mesmo é responsável por 6% da economia britânica e 7% dos empregos. Consequentemente, uma queda na atividade do setor da construção aumenta a probabilidade da união económica entrar em recessão no segundo trimestre do ano.

 

Para Howard Archer, economista chefe do EY Item Club, estas figuras aumentam a crença de que a economia britânica apresentará uma contração no segundo trimestre do ano aquando da publicação dos dados compilados pelo INE britânico. De facto, a organização que lidera espera “que o PIB tenha contraído 0.2% face ao primeiro trimestre do ano”.

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