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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Sam Pitroda assinou na semana passada um protocolo de cooperação com a autarquia de Setúbal para localizar o primeiro projeto naquela cidade. Mas já estão em vista outras duas Cidades do Conhecimento. Uma no Norte do país e outra na Área Metropolitana de Lisboa.

O Pitroda Group, liderado pelo milionário indiano Sam Pitroda, tem um plano para a construção de três Cidades do Conhecimento em Portugal. Para já apenas uma está a avançar, em Setúbal, mas o grupo tem em curso negociações com uma autarquia no Norte do país “que ainda não queremos identificar porque está num estado muito embrionário”, disse Sam Pitroda ao Negócios.

O físico, que fez fortuna nos EUA no setor das telecomunicações, trabalhou para o governo indiano no desenvolvimento de um plano tecnológico. Agora está empenhado em atrair investimento para Portugal. “O plano é mobilizar recursos globais. Eu não vou investir 800 milhões de euros [o custo global estimado para a construção de uma Cidade do Conhecimento]. O meu trabalho é, com a ajuda de várias pessoas que tal como eu têm os contactos certos, atrair investimento. E já há interessados”, garante.

Numa conversa em Lisboa, onde esteve apenas um dia para formalizar o entendimento com a Câmara Municipal de Setúbal, explicou que “há muito dinheiro à espera de boas oportunidades de investimento”, em todos os fundos soberanos, nomeadamente nos do Médio Oriente, onde tem “bons contactos”. Também os grandes investidores em Singapura e no Japão, bem como os fundos de investimento norte-americanos, anseiam por boas oportunidades de investimento numa altura em que as taxas de juros estão baixas. “Mas não vão ficar baixas para sempre”, avisa. “Este é o momento certo para avançar”.

Sam Pitroda acredita que “Portugal não se tem sabido vender” à “nata” do investimento internacional. Para isso acontecer, defende, o país precisa de projetos como este que agora traz a Setúbal e que já construiu na Índia e no México. O modelo “não é uma experiência”, sublinha.

Que cidades são estas?

 

Uma Cidade do Conhecimento é “um complexo integrado” onde vivem e trabalham “trabalhadores do conhecimento”. No fundo, acrescenta, “é uma cidade onde o talento se junta”. Em Setúbal esta cidade irá nascer no Vale da Rosa, muito perto das instalações do BlueBiz Global Parques e do campus do Instituto Politécnico de Setúbal. O projeto deverá incluir escritórios, área residencial, um hotel, um centro de conferências, um hospital, escolas e universidades, comércio, parques de estacionamento e espaços de divertimentos, arte e cultura.

Foi criada uma equipa, que junta pessoas do Pitroda Group e da autarquia, que vai definir em conjunto em que “cluster” esta Cidade do Conhecimento se vai focar e só então se poderá determinar quais as infraestruturas mais adequadas.

O plano estratégico para Setúbal será feito por uma empresa portuguesa especializada nestes projetos de longo prazo habituada a trabalhar para autarquias e para o Governo. Contará também com o contributo de um comité de sábios local constituído por pessoas relevantes das mais variadas áreas.

“A ideia é criar uma visão e um projeto suficientemente grandes para interessar os mais importantes investidores do mundo”, afirma. “Queremos um projeto de excelência.”

Só depois de o plano estratégico ser aprovado, o que deverá acontecer no verão, começam os contactos com potenciais investidores. “Queremos trazer talento de alto nível para fazer investigação, colaborar, inovar.”

As três Cidades do Conhecimento terão “clusters” diferentes que respeitarão a realidade empresarial, social e ambiental. “Este é um projeto inclusivo. Não vamos criar guetos”, garante o empresário.

 

Quem é Sam Pitroda?

 

Nasceu em 1942 numa pequena aldeia numa das áreas rurais mais pobres da Índia. Sam Pitroda é filho de um carpinteiro da casta suthar, que prosperou a fazer negócio com os ingleses. Foi assim que conseguiu financiar os estudos dos oito filhos.

Sam Pitroda licenciou-se em Física com especialização em eletrónica na Universidade Maharaja Sayajirao, na cidade de Baroda, no estado de Gujarat. Chegou a Chicago, nos EUA, em 1964 para continuar os estudos. Foi lá que pela primeira vez utilizou um telefone. Na terra do Tio Sam viveu o sonho americano e enriqueceu a construir empresas e registar perto de 100 patentes em todo o mundo.

É apontado como sendo o mentor da revolução tecnológica na Índia nos anos 1980. Foi conselheiro do primeiro-ministro da Índia Rajiv Gandhi, função em que liderou seis missões tecnológicas relacionadas com telecomunicações, água, literacia, vacinação, produção de leite e sementes oleaginosas. Hoje, para além de empresário e milionário, é também filantropo. É fundador e presidente de cinco organizações sem fins lucrativos.

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