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CABEÇALHO

Todo o material produzido na Maria Modista é concebido em Tecido Não Tecido (TNT), o mais apropriado para a utilização nos hospitais, uma vez que é um material descartável.

Com um total de 2.362 casos de infeção por coronavírus confirmados em Portugal, os profissionais de saúde começam a ficar sem equipamentos de proteção individual, sendo que mesmo estes deixam alguns profissionais com partes do corpo expostas, como é o exemplo do pescoço.

 

A escola de costura Maria Modista, que tem pequenos ateliers de costura em todo o país, uniu-se e tem estado a produzir alguns materiais de proteção individual que os profissionais de saúde consideram necessários mas que estão em falta. Todo o material produzido na Maria Modista é concebido em Tecido Não Tecido (TNT), o mais apropriado para a utilização nos hospitais, uma vez que é um material descartável.

 

Em resposta ao Jornal Económico, Filipa Bibe, a criadora da Maria Modista, explica como esta iniciativa começou, o apoio essencial das alunas na produção e que equipamentos estão a conceber para ajudar os profissionais de saúde na luta contra a Covid-19.

 

Quantas pessoas se uniram para este projeto?
Tudo começou quando uma das alunas, enfermeira na Fundação Champalimaud enviou um vídeo de um carapuço com protecção de pescoço, parte do corpo (pescoço) que sentem desprotegida com os fatos habituais. Ela pedia para eu fazer um exactamente igual para toda a sua equipa. Coloquei nas nossas redes sociais o que ia desenvolver e choveram pedidos de médicas e enfermeiras de outros hospitais. Toda a gente precisava da cógula (termo técnico).

 

Por outro lado também surgiu a imensa prontidão das seguidoras que sabem costurar. Todas queriam ajudar!


Em menos de nada já está criada uma rede que nem sei precisar o número. Vamos disponibilizando os moldes e passo a passo para que possam fazer em casa e depois entregarem pessoalmente nos hospitais das suas zonas. Circulam vários moldes de várias pessoas na internet, tudo com este objectivo comum: facultar proteção que não existe ou que já escasseia.

 

Como foi tomada a decisão de produzir do zero materiais para ajudar os profissionais de saúde?
Quando percebi que não existiam os materiais de proteção individual nos hospitais, perante tantos pedidos não hesitei em pôr todas as professoras da Maria Modista a trabalhar nisto.

 

Todos nós conhecemos um médico, uma enfermeira que está na linha da frente por todos nós e que nos deixa de coração apertado. O pouco que podemos ajudar pode fazer a diferença. Como diz a nossa aluna-enfermeira Fernanda Conceição: Da modista ao cientista todos são fundamentais nesta luta.

 

Não houve uma entidade a pedir, foram pessoas que se vêem sem meios. Descartei toda a responsabilidade de produção certificada de qualquer material não indicado, de contaminação de materiais. Fizeram testes e mais testes de esterilização e de impermeabilização e se da nossa parte é só costurar…nem hesitámos em avançar nesta ajuda!

 

Além de toucas, que outros materiais estão a fazer?
Estamos a fazer as carapuças com proteção de pescoço, botas até ao joelho e batas. Tudo descartável.

 

Porquê tecido não tecido? Porque não utilizar outro tipo de tecido?
O tecido não tecido foi o material pedido. Não podia ser tecido normal. Teria que ser um tecido repelente de fluídos e descartável.

 

Quem vos fornece este tecido?
A Nomalism doou tudo o que tinha à Maria Modista para que conseguíssemos produzir as peças. Entretanto está a repor stock.

Após apelo nas redes sociais, vieram mais doações da Posturarte. Também os próprios hospitais fornecem tecido cirúrgico esterilizado, mais impermeável e resistente para fazermos as carapuças e batas.

 

Quantas peças estão a planear fazer?
Todas as que nos pedem e as possíveis até esgotarmos o tecido.

 

A quem vão entregar as peças que produzirem?
A quem nos está a levar o tecido cirúrgico. A alunas da Maria Modista – médicas e enfermeiras – que estão a proteger-se a elas e às equipas delas.

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