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CABEÇALHO

O balanço feito pela Cushman&Wakefield reporta-se aos primeiros três meses deste ano. Maior operação foi a venda do LeiriaShopping por 128 milhões.

Cerca de 700 milhões de euros foram transaccionados nos primeiros três meses deste ano em ativos de imobiliário comercial (escritórios, hotelaria, retalho), um balanço da consultora Cushman & Wakefield.

 

O setor de retalho foi o mais dinâmico, tendo contabilizado dez negócios com um valor acumulado de cerca de €350 milhões, o equivalente a quase 50% do total investido.

 

O maior negócio do ano até à data foi a venda do Leiriashopping por parte da Sonae a um fundo gerido pelos alemães da REEF, por um valor de €128 milhões.

 

O mercado de escritórios concentrou 39% do total de investimento, com €266 milhões transacionados e que incluem a venda do portfólio do Art's Business Centre e a Torre Fernão Magalhães à Merlin Properties por €112,5 milhões. Os setores industrial e hoteleiro acomodaram, em conjunto, 10% do volume de investimento. Adicionalmente, foi também registado um negócio de duas residências de estudantes em Lisboa e Porto, concretizado pela Xior e que envolveu €28 milhões.

 

Investimento desacelera...

 

Após um ano recorde em 2018, com €3.000 milhões de investimento imobiliário, "o mercado imobiliário nacional continua a evidenciar uma evolução positiva nos primeiros meses do ano, com a atividade de ocupação e de investimento a registar um desempenho em linha com o esperado", de acordo com a análise trimestral da Cushman & Wakefield.

 

"Não obstante, a economia portuguesa começou 2019 com alguns sinais de abrandamento, factor que não pode ser ignorado e que deverá refletir-se ao longo do ano no mercado imobiliário", ressalva ainda a consultora, em comunicado. As estimativas da Cushman & Wakefield apontam assim para algum abrandamento do crescimento em termos de atividade, que deverá manifestar-se de forma ligeira na dinâmica da procura e de modo mais acentuado no que se refere aos valores de mercado.

 

“Não esperamos uma inversão do ciclo de forte crescimento que temos vindo a registar desde 2014, mas estamos convictos de que o abrandamento no crescimento económico vai ter o seu impacto no setor imobiliário. Salientamos que as nossas expetativas não são de queda, apenas de abrandamento no crescimento”, sublinhou Marta Esteves Costa, partner e Head of Reserach da Cushman & Wakefield.

 

... mas arrendamento continua em alta

 

Apesar da desaceleração prevista no que respeita ao investimento imobiliário, no mercado de arrendamento a procura continua em alta.

 

No segmento de escritórios foram transacionados cerca de 42.000 m² de área num total de 43 negócios entre janeiro e março deste ano, um valor que se mantém em linha com o período homólogo e que dá continuidade aos níveis de procura particularmente ativos registados ao longo de 2018.

 

A Zona 5 (Parque das Nações) concentrou 47% deste volume, tendo sido também nesta zona que se verificou o maior negócio do trimestre, a compra da nova sede da AGEAS com 17.400 m². Seguem-se a Zona 2 (Central Business District) e Zona 3 (Nova Zona de Escritórios) com 22% e 16% de área transacionada, respetivamente.

 

A forte limitação de espaços de escritórios de qualidade e dimensão, principalmente na zona central de Lisboa, tem vindo a incentivar os negócios de pré-arrendamento e a construção especulativa de novos projetos, levando à subida das rendas prime em todas as zonas do mercado, com exceção da Zona 1 que se manteve nos 21€/m²/mês.

 

A atividade no setor de retalho durante os primeiros três meses do ano é igualmente assinalável: entre janeiro e março foram registados pela Cushman & Wakefield mais de 180 negócios de ocupação num total de 35.000 m², com o comércio de rua a representar 74% da procura em número de negócios, mas apenas 33% em termos de área.

 

Os centros comerciais agregam 16% da área ocupada, resultado da escassez de espaço disponível nos principais centros. O setor dos Restaurantes & Cafés terá sido o maior impulsionador desta procura com 50% da área transacionada, seguido pelo Lazer & Cultura com 15%.

 

"O setor Industrial & Logístico deverá revelar em 2019 uma dinâmica mais forte que em 2018, desde que garantida a necessidade de espaço dos vários operadores que o procuram de forma ativa", diz a Cushman. Apesar da ocupação restringida a 7.000 m² até março, o ano de 2019 deverá refletir os efeitos de um mercado impulsionado pela expansão dos retalhistas alimentares e pela crescente procura de espaços de logística urbana em resposta ao crescimento expetável do e-commerce.

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