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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Região Autónoma quer manter crescimento do PIB acima da média europeia e aposta em áreas como as novas tecnologias. Candidaturas a investimento privado já superam os 520 milhões de euros.

Quais são os desafios económicos que se colocam à Região Autónoma dos Açores nos próximos anos?
Do ponto de vista macroeconómico, o principal desafio para a Região Autónoma dos Açores passa por manter uma trajetória de convergência com as médias de riqueza do país e da
União Europeia. Ao longo dos últimos anos, temos vindo a crescer acima da média da UE e esse princípio de convergência que queremos manter. Para que isso aconteça, o crescimento do PIB dos Açores assenta por um lado no setor primário em que temos maior valor acrescentado (associado à produção e ao desenvolvimento da terra, nomeadamente no setor agrícola e também no que concerne ao setor das pescas e do mar). Por outro lado, é muito importante mencionar o desenvolvimento de novos setores que se estão a consolidar como o turismo e também as áreas ligadas às novas tecnologias que, em conjunto, permitem criar uma estrutura produtiva que tem sido atrativa do ponto de vista do investimento privado, para que o mesmo seja uma alavanca no crescimento e na criação de emprego.

Como é que se poderá atrair o investimento privado num contexto económico tão particular como é dos Açores?
Temos neste momento um sistema de incentivos ao investimento privado, que é mais abrangente e com maior amplitude e está no limite máximo daquilo que é permique deve assentar o nosso crescimento económico. O crescimento económico dos Açores assenta nesses setores que são áreas que produzem bens ou serviços transa- cionáveis, ou seja, aqueles que não estão limitados na sua comercialização ao espaço geográfico onde são produzidos.

Essa aposta é muito importante?
Esse é um aspeto essencial e que visa dois objetivos: aumentar as nossas vendas internacionais mas também reduzir as nossas necessidades de importações para que do valor acrescentado bruto gerado por essa atividade económica resulte efetivamente a criação de mais riqueza. Por outro lado, a incorporação de um maior nível de qualificação do sistema produtivo (afeta aos recursos humanos) também faz com que o impacto do crescimento da atividade económica sobre o emprego qualificado possa produzir efeitos complementares sobre esse crescimento.

Qual o papel dos
fundos europeus no desenvolvimento da economia açoriana?
Os
fundos europeus são importantes e temos fundos de diversas ordens: dirigidos à agricultura e ao mar enquadrados nessas políticas europeias e também no que concerne ao programa operacional dos Açores que desenvolve os fundos no âmbito do Fundo Social Europeu e do FEDER, que é aquele que tem maior volume e que está relacionado com os apoios ao investimento, seja público ou privado. No período que vai terminar em 2020, direcionámos uma grande parte desses recursos para duas áreas que consideramos essenciais: investimento privado (e o sistema de incentivos ao investimento privado que já referi) e a qualificação dos recursos humanos como factor complementar da nossa competitividade. Estas apostas vão associar- -se aos investimentos públicos estruturais que dinamizam a atividade económica como as infraestru- turas portuárias, aeroportuárias e a indústria produtiva.

Se um investidor privado lhe mostrar interesse em apostar nos Açores, que áreas apontaria maior potencial de crescimento?
Cabe à iniciativa privada identificar as oportunidades de negócio mas é tarefa do Governo, através dos nossos sistemas de incentivos, identificar quais são as áreas que consideramos terem potencial. Consideramos que os Açores têm grande competitividade nos setores primário, industrial transformador do setor primário, turismo, economia do mar e no âmbito das novas tecnologias, particularmente no desenvolvimento de fatores endógenos e de setores ligados à qualificação de recursos humanos para a prestação de serviços fora do contexto regional (áreas de programação e tecnológicas).

Que incentivos apresentam para quem quer investir na Região?
Nessa lógica e nessa estratégia temos dois níveis de incentivos: aqueles que estão destinados ao investimento (regulados num sistema apelidado de Competir + que define as taxas de comparticipação a fundo perdido e reembolsáveis, sendo este o sistema de incentivos mais generoso e abrangente no contexto da
UE; como somos uma região ultraperiférica conseguimos obter o máximo de taxas de comparticipação). Esse apoio é complementar com apoios no âmbito dos recursos humanos, no que diz respeito à qualificação e à contratação dos mesmos. A complementaridade destes dois níveis de incentivos cria um ecossistema propício à competitividade desses investimentos.

Como vê o desenvolvimento da economia dos Açores nos próximos anos?
Há um clima de confiança e de grande reforço de investimento privado associado a uma estabilidade do investimento público. Existe um aumento do rendimento disponível das famílias que também contribui para o aumento do consumo interno. Existe ainda um aumento significativo das exportações. A conjugação destes fatores justificam que os Açores estejam a crescer acima da média da
UE. Há um cenário consolidado de confiança que se justifica também pelo volume de investimento privado que tem crescido muito nos últimos anos.

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