Paulo Portas garantiu ontem que Lisboa vai “defender o projecto” da Escola Portuguesa de Macau (EPM). Para o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal é “essencial” salvaguardar o legado português “não apenas presente, mas também futuro” no Oriente.
“Uma escola como a Escola Portuguesa de Macau ou o Instituto Português do Oriente são importantes quer na língua, quer no ensino, quer na formação”, disse Portas, durante um encontro na EPM, direccionado para a comunidade lusa e que contou com a participação dos alunos da escola.
Quando questionado sobre os novos estatutos e a eventual mudança de instalações do estabelecimento de ensino, o ministro português começou por dizer que é “um especialista em resolver problemas”. Depois, acrescentou que conhece “exactamente a dimensão do problema”.
“Está a ser feita uma auditoria com todos os factos em cima da mesa. Agora, há uma coisa que garanto. O que Portugal quer é uma relação estável, duradoura, profícua com a Região Administrativa Especial de Macau para proteger o projecto da Escola Portuguesa”, anunciou Paulo Portas.
Sobre o plano de instalar um centro de distribuição de produtos portugueses em Macau, o titular pasta da diplomacia lusa informou que a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal vai anunciar novidades “daqui a pouco tempo”. Para 2013, ficou também a promessa de “mais visitas e projectos” no território.
A relação entre Portugal e Macau também foi tema de conversa ontem. Portas assegurou que a presença portuguesa é “extremamente apreciada, até por contraste histórico com outras”.
“Nós devemos perceber isso e ter uma relação impecável com as autoridades de Macau para proteger o português, a herança portuguesa e saber projectá-la no futuro”, argumentou.
No discurso de Paulo Portas, a crise económica e financeira de Portugal não foi esquecida. “Sempre que houve dificuldades, Portugal venceu-as”, afirmou o ministro luso.
“Não somos dez milhões de portugueses, somos 15 milhões. Vamos vencer juntos”, afiançou.
Objectivo conseguido
Em Macau, Paulo Portas fez um balanço da viagem à China. “Cumpriu completamente os objectivos que tinha”, sintetizou o ministro, antes de acrescentar que o périplo “confirmou a parceria estratégica entre a China e Portugal”.
“Portugal é um dos poucos países na Europa que tem essa parceria. Sendo a China uma economia poderosíssima e um mercado enorme, é evidente que Portugal tem toda a vantagem em aproveitar plenamente essa parceria. Por outro lado, creio que é importante que, do ponto de vista contratual, os grandes investimentos chineses do ano passado no nosso país estejam a correr bem e dentro dos prazos”, explicou Portas, aludindo aos casos da EDP e REN.
O governante português sublinhou que a viagem deixou porta aberta aos produtos lusos em “mercados importantes e prestigiantes”. “Isso é especialmente importante no domínio agro-alimentar, onde Portugal tem um enorme prestígio nas economias asiáticas, em especial na China e ainda em mais em Macau”, justificou.
Portas espera que mais produtos, além do vinho e azeite, sejam exportados para países asiáticos. Para isso conta com a ajuda dos empresários portugueses que, em tempo de crise, têm apostado em investir em novos mercados.
“Milhares de empresas exportadoras, que nos mercados tradicionais vêem recessão ou estagnação, estão a partir e a arriscar para mercados não tradicionais. Conseguem ganhar posições e conseguem ganhar quotas de mercados”, exemplificou.
Amélia António descontente com Portas
A presidente da Casa de Portugal diz-se descontente com a visita de Paulo Portas a Macau. Na opinião de Amélia António, faltou “uma palavra” às associações de matriz portuguesa que promovem a cultura portuguesa no território.
“Teria sido de extrema importância”, considerou ontem a dirigente. Até porque, argumentou Amélia António, “mesmo do ponto de vista económico, as associações são importantes”.
Realçando que Portas desconhecia o projecto “Lusitanus”, a responsável da Casa de Portugal lamentou ainda a “pouca atenção” dada por Lisboa “a quem trabalha muito para manter a cultura portuguesa”.
“Parece que o Governo português dá menos importância às associações que mantêm a cultura portuguesa viva do que o Governo local. Isso magoa quem cá está”, concluiu.
As opiniões de Amélia António foram transmitidas pela própria ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português. A conversa, de cariz informal, aconteceu na Escola Portuguesa e antecedeu a partida de Paulo Portas.
APOMAC quer ajudar Portugal
Paulo Portas esteve reunido ontem com dirigentes da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), antes de se deslocar à Escola Portuguesa. O encontro foi mantido numa unidade hoteleira da Doca dos Pescadores e serviu para anunciar que os membros da APOMAC estão “disponíveis para ajudar” Portugal.
“Porque o Estado está numa situação de emergência nacional, mostrámos que nós, portugueses nados e criados aqui em Macau, podemos apoiar o país naquilo que for necessário e possível”, disse Jorge Fão ao PONTO FINAL.
O plano apresentado pelos membros da APOMAC passa por “encaminhar alguns investimentos para Portugal”, através de “contactos que os sócios têm em Macau e na China”. “Eventualmente, podemos mesmo levar empresários a Portugal”, completou Fão.
O encontro de ontem foi agendado na semana passada em Pequim. Na capital chinesa, o ministro português esteve hospedado num hotel do empresário David Chow.
“Já houve um convite de Paulo Portas para que David Chow visite Portugal. Ele tem investimentos em todo o lado e pode ser que encontre lá alguma área de interesse”, concluiu Jorge Fão, “parceiro político e social” de Chow.