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No segundo semestre de 2019, a tecnologia de gestão hospital desta empresa, nascida nos bancos da faculdade, terá novas funcionalidades que pretendem facilitar o uso dos protocolos de atualização clínica por parte dos profissionais de saúde e a conversão do sistema para outros idiomas.

Eduardo Freire Rodrigues, Duarte Sequeira e Luís Patrão estavam a estudar Medicina na Universidade Nova de Lisboa e na Faculdade de Ciências da Saúde na Covilhã quando criaram as pedras basilares da startup que agora desenvolve software de gestão hospital para cerca de 40 clínicas e unidades hospitalares, inclusive do grupo Luz Saúde e rede CUF. Desde os tempos de escola com o gosto por programação, os três médicos-empreendedores querem continuar a desenvolver tecnologia e fazer da UpHill uma referência na Holanda, em Espanha e, mais tarde, no Reino Unido.

 

“O nosso setor está consolidado em Portugal, temos cerca de 80% dos nossos produtos no setor privado nacional, mas estamos a transitar para outras geografias na Europa e a começar a trabalhar na Holanda e em Espanha. Queremos muito consolidar esses mercados, porque a Holanda é conhecida por ser muito apta a receber tecnologias no setor da saúde”, disse o CEO da UpHill ao Jornal Económico (JE).

 

O software da UpHill permite, entre 20 e 30 minutos, informar os profissionais de saúde em que matérias devem adquirir mais conhecimento. Na prática, a tecnologia descobre as necessidades formativas através de uma simulação virtual (online) da prática clínica habitual. “Por exemplo, aparece-lhes um doente com cancro da mama. Conseguem tratá-lo da mesma forma que tratariam e nós comparamos isso com o que está preconizado na melhor evidência científica internacional, vemos onde é que pode haver potencialmente aproximações ou desvios e dizemos qual o artigo que o profissional tem de ler para se atualizar. É como se tivéssemos um treino, um guia personalizado”, explica.

 

Formalmente, a UpHill é uma spin-off da Universidade da Beira Interior e nasceu a partir de uma tese de Mestrado e, a seguir, de capitais próprios que lhe dessem ‘vida’. O apoio da faculdade em termos de Propriedade Intelectual foi fundamental, de acordo com o diretor-executivo. Ainda que a UpHill não lide com dados pessoais dos clientes ou utentes, Eduardo Freire Rodrigues admite que teve de fazer um investimento significativo para estar em conformidade com o Regulamento Geral da Proteção de Dados. “Quando temos uma legislação tão vincada, muitas vezes, não se contabiliza o efeito económico que isso tem para empresas e startups que estão a começar e que precisam de fazer um investimento brutal em desenvolvimento e legal”, refere.

 

Mais tarde, quando a empresa começou a vender para grandes grupos empresariais, sentiu necessidade de escalar e dar robustez ao produto em termos tecnológicos, o que motivou a sua primeira ronda de financiamento (seed), de 600 mil euros. A operação, fechada em março, foi liderada pela Luz Saúde e teve ainda a participação da Caixa Capital e da Busy Angels. Quatro meses depois desse balão de oxigénio, o montante está a ser usado para “fazer investimento humano para produção tecnológica”.

 

A empresa, que ainda analisa o compliance de médicos, enfermeiros e auxiliares, trabalha também com hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) através de parcerias, como o do Barreiro e o de Vila Real. A tripla de líderes da UpHill acredita que a tecnologia pode auxiliar na celeridade do funcionamento dos hospitais quer públicos quer privados, bem como evitar casos como os da burla de um milhão de euros que veio a público na semana passada. “O SNS tem grandes desafios pela frente.

 

Os recursos humanos e a sua motivação são extraordinariamente importantes, e isso é algo que, muitas vezes, vemos fragilizado no setor público. Vemos ser muito reduzido o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. O que vemos são profissionais de saúde com muito pouco tempo, que precisam que as soluções tecnológicas os ajudem”, afirma Eduardo Freire Rodrigues.

 

Distinguida com o “Jovem Empreendedor” da Associação Nacional de Jovens Empresários, em 2016, a UpHill é composta por uma equipa de 10 colaboradores e tem 60 mil profissionais de saúde inscritos nas suas plataformas. Até ao final do ano a vai aumentar a equipa para 14 pessoas, com funções tecnológicas e de desenvolvimento de negócio, em 2020 preveem ter a sua segunda ronda de financiamento, para investir em Marketing.

 

Eduardo Freire Rodrigues adianta ainda ao JE que no próximo semestre vão apresentar novidades: novas funcionalidades que pretendem facilitar o uso dos protocolos de atualização clínica por parte dos profissionais de saúde. “Muitos dos desenvolvimentos que estamos a fazer agora, para os quais esta ronda está a servir, são para permitir que nós consigamos mais rapidamente mudar para cada geografia. A tecnologia agiliza a conversão desses conteúdos para essas línguas”, diz o CEO.

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