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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

No ano passado Portugal exportou 1,7 mil milhões de euros para países da América Latina. "É manifestamente pouco", diz o IPDAL.

Vale 3,1% das exportações nacionais, mas podia valer muito mais, dizem os especialistas. Na América Latina está um dos mercados do mundo que mais cresce, e que mais tem sido negligenciado pelas empresas e instituições portuguesas.

 

O Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL) reuniu dez especialistas para tentar perceber como é que a venda de bens para a América do Sul pode ascender a 5% do total das exportações nacionais. Em 2017, dos 55 milhões de euros que Portugal vendeu ao estrangeiro, 1,7 mil milhões tiveram como destino países daquele continente. Só no Brasil estão concentrados quase 600 milhões.

 

“É manifestamente pouco”, lê-se num “documento estratégico” do IPDAL, a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

 

Segundo o relatório, Portugal “tem a obrigação de apostar numa maior diversificação dos seus parceiros comerciais”. 80% das exportações nacionais têm a União Europeia como destino, o que é um risco, avisa o IPDAL, face ao atual “contexto geoeconómico em que se prevê que as crises globais venham a aumentar de intensidade”.

 

Para o Instituto, as vendas para a América Latina “não traduzem o potencial de negócios que existe para as empresas portuguesas na América Latina, sobretudo quando em 2011 a região chegou a receber quase 4% do total das nossas vendas”.

 

Fatores como o crescimento das classes médias, do acesso ao ensino superior, o aumento do rendimento das famílias ou os projetos de infraestruturas são apontados como razões para Portugal apostar no continente.

 

Além disso, “as instituições e as empresas portuguesas são encaradas como parceiros credíveis e relevantes na América Latina”. O grupo de especialistas formado pelo IPDAL, entre os quais se contam nomes como Augusto Mateus, Bernardo Ivo Cruz ou Francisco Murteira Nabo, aponta a urgência de se “apostar em produtos transformados e já inseridos nascadeias de valor”, em vez de se manter a “abordagem tradicionalista de venda de produtos que são maioritariamente componentes, ou peças isoladas”.

 

“É necessário explorar as necessidades do público-alvo, começando o trabalho de análise no país de consumo final e só então decidir o que vai ser produzido em Portugal. Um dos elementos-chave para revigorar a exportação para a América Latina é, pois, saber o que produzir (…) Portugal terá uma enorme mais-valia a partir do momento em que começar a vender o que a região quer ou precisa de comprar”, salienta Leonardo Mathias.

 

O mesmo responsável destaca que Portugal deve “oferecer produtos com ‘tradição’, mas que incorporem valor acrescentado, nomeadamente vestuário, produtos alimentares, construção civil e mobiliário”. Outros setores que se destacam, acrescenta, “são o ferroviário, aeroespacial e tecnologia de informação”.

 

“De uma forma geral”, conclui o relatório, “as empresas portuguesas não se encontram devidamente sensibilizadas para as oportunidades do mercado latino-americano”.

 

Para isso também devem contribuir o governo e as agências de promoção do comércio externo, destaca o relatório.

 

“Ao Estado, às associações, às câmaras de comércio, às organizações da sociedade civil e mesmo aos próprios media compete divulgar na América Latina aquilo que é a realidade da economia portuguesa e das empresas portuguesas”, sublinha.

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