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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias reconhece que o peso de Espanha na economia portuguesa continua a aumentar, embora o Governo queira aumentar a diversificação dos mercados de destino das exportações portuguesas. O peso relativo de Espanha como principal mercado de destino das exportações portuguesas aumentou de 24,6% em setembro de 2019 para 25,3% em igual mês de 2020.

A “iberização da economia portuguesa está a aumentar e é um aspeto que se vem acentuando nas últimas décadas”, referiu, ao Jornal Económico, o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, adiantando que “nós continuamos a ter como objetivo a diversificação de mercados”. No dados de setembro sobre as exportações e importações portuguesas, reportados pelo INE e analisados pela Aicep Portugal Global, Espanha aumentou o peso relativo de principal mercado de destino das exportações portuguesas, passando de 24,6% em setembro de 2019 para 25,3% em igual mês de 2020.

 

A preponderância de Espanha aumentou no comércio internacional português, atendendo a que França é o segundo mercado de destino das exportações portuguesas, mas tem um peso de 13,7% (muito inferior ao peso de Espanha nas exportações portuguesas, que é de 25,3%). A Alemanha aparece em terceiro lugar, com 12,1% das exportações portuguesas, sucedendo-se o Reino Unido, em quarto lugar, com apenas 5,5% das exportações lusas. Também ao nível das importações feitas por Portugal, Espanha aumentou o seu peso relativo entre os países fornecedores da economia nacional, passando de 30,1% em setembro de 2019, para 31,9% em igual mês do ano em curso, segundo dados no INE e da Aicep.

 

“Isso significa que quando olhamos especialmente para o sector de bens, continuamos com uma percentagem significativa, aproximadamente metade das nossas exportações em três mercados: Espanha, França e Alemanha”, refere o secretário de Estado, considerando que “para nós, mais importante que essa concentração é a ideia que nós temos de ter empresas que sirvam mais mercados. E trabalhar a diversificação não passa por apenas trabalhar a ideia de que temos de nos mostrar a outros mercados, mas é sobretudo trabalhar com as empresas em mercados concretos”.

 

“Até ao fim de 2019, tínhamos feito um trabalho importante de aumentar o número médio de clientes por exportador. Nós tínhamos aumentado aproximadamente 0,6 nesse indicador. Ele estava mais perto dos cinco mercados do que dos quatro. E esse é um trabalho que vamos fazendo e que é aumentar o número de novos mercados por empresa”, explica Brilhante Dias.

“Só para ter uma ideia, nós nos últimos quatro anos devemos ter aproximadamente novos 13 mil produtos em mercados, ou seja, temos 12 mil a 13 mil combinações novas empresa-mercado, e isso significa que tivemos 13 mil entradas em novos mercados”, adianta Brilhante Dias, esclarecendo que isso “significa que uma empresa entrou num mercado novo. Isso é um trabalho que vamos continuar a fazer para aumentar aquele rácio – o indicador que acompanhamos e que é o número médio de mercados servidos por cada empresa exportadora “.

 

“Isso é para nós um elemento muito importante para diminuirmos a dependência que muitas empresas têm apenas de um número reduzido de mercados. Outro indicador que acompanhamos é sobre quantas empresas do nosso tecido exportador exportam apenas para um mercado. Nós reduzimos esse valor durante os últimos quatro anos e neste momento ainda não temos o valor para 2020 – que pode ser um ano de paragem deste movimento – mas diminuímos aproximadamente 1500 empresas produtoras de bens que exportavam apenas para um mercado, ou seja, nós temos vindo a aumentar o número de empresas que exportam para mais mercados”, refere o secretário de Estado da Internacionalização.

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