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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Inquérito realizado pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) às imobiliárias revela quebras na procura e nos negócios provocadas pelo surto do coronavírus.

Quase 100% das empresas de mediação imobiliária a operar em Portugal, registaram quebras na procura e nos negócios provocadas pelo surto do coronavírus. Este número resulta de um inquérito feito pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) divulgado esta sexta-feira, 27 de março.

 

No total, 97,4% das empresas declararam ter registado uma quebra da procura no último mês, sendo que 78,1% afirmaram que os seus clientes desistiram dos negócios que tinham em curso e 20,5% destes chegaram mesmo a desistir da compra após a celebração do Contrato de Promessa de Compra e Venda (CPCV).

 

Luís Lima, presidente da APEMIP, refere que “estes números demonstram que a atividade está praticamente parada”, dado que “a grande maioria das empresas suspendeu a sua atividade, indo ao encontro da regulamentação e aplicação do Estado de Emergência decretado”, acrescentando que “o setor está praticamente parado e não há teletrabalho ou take away que nos ajude a resistir”.

 

Quase metade (47,4%) das empresas revela que pretende recorrer à linha de crédito de 200 milhões de euros, mas o responsável da associação receia que a grande maioria não consiga aceder.

 

“Todos os dias nos chegam relatos de empresas a quem foi recusado o recurso a esta linha por não reunirem os requisitos ou por terem dificuldade em atestá-los. É difícil manter o otimismo quando ouvimos o desespero dos empresários, que não sabem que caminhos tomar e é difícil aconselhá-los quando a incerteza sobre o dia de amanhã é constante”, afirma Luís Lima.

 

O presidente da APEMIP alerta ainda para a importância dos regimes de moratórias, tanto para as famílias como empresas. “O decreto do Governo visa regulamentar a atribuição das moratórias pelo setor financeiro, mas o seu nível de abrangência não é total, não podendo ser acedido por todas as pessoas/empresas ou requerido a determinados créditos, como os pessoais”, dado que “são exigidas determinadas condições, como a situação de desemprego ou de lay-off“.

 

O responsável salienta que “cada banco poderá então, por si, ir mais longe em termos da flexibilidade daquilo que se dispõe a oferecer aos seus clientes, como é o caso do Santander, por exemplo, que foi para além das medidas Governamentais, dando o exemplo ao sector financeiro, ao ajudar as pessoas e empresas a ter algum alivio orçamental neste período inédito, e a evitar que entrem em incumprimento, o que não seria benéfico para nenhuma das partes neste momento. Esperamos que outras instituições financeiras sigam o exemplo, e exerçam um papel ativo que revele uma verdadeira responsabilidade social”, conclui.

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