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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Marc Groves-Raines, investidor da Allianz Capital Partners, garante que o solar português é muito atrativo para os investidores internacionais. A seguradora já comprou as duas maiores centrais solares do país.

Já investiram mais de 3,5 mil milhões de euros em renováveis – 83 centrais eólicas e nove centrais solares – em países como Áustria, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Suécia e EUA, e agora estão de olhos postos em Portugal. E vieram para ficar, garantiu ao Dinheiro Vivo Marc Groves-Raines, responsável pela área de energias renováveis na Allianz Capital Partners. Até agora mais atento às renováveis em “mercados-chave” na Europa, o fundo de investimento da seguradora alemã Allianz começou a interessar-se pela “periferia europeia”, mais concretamente pelo potencial da Península Ibérica. Portugal conseguiu captar o primeiro grande investimento.

 

Em 2018, e em poucos meses, a seguradora alemã Allianz tornou-se dona das duas maiores centrais solares sem tarifas subsidiadas em Portugal: a Ourika, em Ourique, com 46 MW de potência instalada e já em plena produção; e a Solara, com quase 220 MW, 200 milhões de euros de investimento do consórcio sino-irlandês WElink e estreia marcada para o terceiro trimestre de 2019 no concelho algarvio de Alcoutim. “Solara é um projeto importante para a área de Vaqueiros que recentemente sofreu impactos pelo decréscimo da população. O projeto trará benefícios económicos para o local e irá empregar 1500 pessoas para os trabalhos de construção.”

 

Os trabalhos de construção do parque fotovoltaico Solara propriamente dito só vão começar agora, em janeiro de 2019, com um grande número de trabalhadores no terreno, depois de já ter sido concluída a construção da subestação elétrica, adjudicada à Siemens Portugal, e a ampliação da subestação de Tavira por parte da REN. “A central Ourika quando começou a funcionar vendia ainda a energia diretamente ao mercado, mas isso não estava a atrair os investidores. Foi necessário garantir um PPA de longo prazo para convencer a Allianz a investir”, relata fonte conhecedora do processo.

 

Desta forma, foi absolutamente crucial para ambos os negócios, cujo valor não é revelado, a existência de acordos de compra de energia (PPA – power purchase agreement) a 20 anos para as duas centrais, com preços garantidos, abaixo dos que são praticados no mercado grossista de eletricidade. “No que diz respeito a todos os nossos investimentos em renováveis, é essencial termos a garantia de um fluxo de rendimentos anuais garantidos a longo prazo, com um risco aceitável. Com o custo das tecnologias a descer, a tendência é apostar em projetos sem tarifas subsidiadas e a operar em mercado, sobretudo em países com altos níveis de exposição solar como Portugal. A existência de acordos de compra de energia a longo prazo é muito importante porque reduz a incerteza e a volatilidade dos rendimentos esperados.

 

É por isso que a natureza dos projetos Ourika e Solara, sem subsídios e em combinação com um PPA, foi um facto importante para nós”, explicou Marc Groves-Raines ao Dinheiro Vivo. “Estamos disponíveis para avaliar novos investimentos que sejam oportunidades interessantes para nós”, garantiu.

 

“Este é o nosso primeiro investimento num projeto solar em Portugal. A central Ourika é um ativo valioso a adicionar ao nosso portfólio pró-ambiental, que neste momento já ultrapassa a barreira das 90 centrais solares e eólicas. Este investimento prova a importância das energias renováveis no portfólio de investimento da Allianz, que é já um dos maiores investidores neste setor na Europa.

 

Esperamos investir em mais projetos solares sem subsídios em vários mercados europeus e aguardamos por mais parcerias com a WElink e outras empresas especializadas. Mais de 50% da energia de Portugal provém do vento, do sol e da água e o país ocupa o sexto lugar dos países com mais renováveis entre os países europeus.”

 

“Projeto pioneiro a nível ibérico”, a central Ourika tem o tamanho de cem campos de futebol, 142 mil painéis fotovoltaicos, uma potência instalada de 46 MW (suficiente para abastecer 25 mil lares), uma capacidade de produção de 82 GWh por ano e é, para já, a maior central solar fotovoltaica da Europa.

 

Com quase cinco vezes mais potência instalada, a central Solara vai destronar em breve a Ourika como o maior projeto solar sem subsídios públicos em Portugal, com uma capacidade de produção de 219 MW de energia limpa e capaz de fornecer eletricidade a cem mil casas por ano, equivalente à energia necessária para abastecer uma cidade do tamanho do Porto durante um ano.

 

“A Allianz é um dos principais investidores em energias renováveis na Europa, uma vez que pretendemos liderar a indústria no que se refere à integração de fatores ESG (environmental, social and governance) nos nossos negócios de investimento. Este é já o nosso segundo investimento em Portugal sem subsídios em conjunto com um PPA.

 

 Estamos muito satisfeitos por nos associarmos novamente com a WElink neste projeto solar tão atrativo. Com o nosso nono investimento solar – a Solara -, teremos mais de 90 projetos incluídos no nosso portfólio de energias renováveis”, referiu ainda Marc Groves-Raines, sublinhando que no total os parques eólicos e solares da Allianz conseguem gerar energia renovável suficiente para abastecer mais de um milhão de residências.

 

Até 2021 deveriam nascer em Portugal 31 novas centrais solares fotovoltaicas, num total de quase 800 milhões de euros de investimento potencial. O novo secretário de Estado da Energia, João Galamba, fala agora em 1177 MW já licenciados mas não construídos. Para 2019, o governo anunciou já a realização de leilões para garantir uma maior atração de investidores no solar português, como a Allianz.

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