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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

As exportações portuguesas para Angola e Brasil, duas das economias com relações comerciais com Portugal mais expostas à queda do petróleo, poderão estar sob ameaça. Em 2016, quando o barril também caiu para os 30 dólares, as vendas portuguesas retraíram-se.

Ainda é cedo para conclusões por ser incerta a duração deste choque, mas a queda abrupta do barril nos mercados deverá pressionar ainda mais a já débil economia angolana que é muito dependente do petróleo, seja nas exportações seja nas contas públicas.

Segundo o Governo angolano, o OE 2020 foi desenhado com um preço médio do barril de 55 dólares. Com a descida para os 30 dólares, abre-se um “buraco” de 450 milhões de dólares. Prova disso é que a China, um dos principais clientes do crude angolano e o país mais afetado pelo novo coronavírus, deverá importar menos um terço do que o habitual, segundo a Bloomberg.

Mais: a queda do kwanza agrava este cenário dado que as importações de bens portugueses em euros ficam mais caras. Em 2016, as exportações para Angola desceram cerca de 30% num só ano.

O mesmo impacto, ainda que de menor dimensão, poderá ocorrer na economia brasileira que nos últimos anos, ao contrário de Angola, foi comprando cada vez mais às exportadoras portuguesas. A petrolífera brasileira Petrobras chegou a cair mais de 25% em bolsa e o real brasileiro afundou para mínimos históricos, o que também tornará as importações portuguesas em euros mais caras.

Tanto no caso do Brasil como de Angola, a maior categoria das exportações nacionais são os agroalimentares. Contudo, a incerteza ainda é elevada quanto à dimensão do impacto.

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