Presidente da AICEP encara a evolução das exportações portuguesas "de forma positiva, mas cautelosa", devido ao abrandamento da Europa.
Onde e em que produtos é que o sector exportador português ganhou quotas de mercado?
De um modo geral, todos os sectores observaram ganhos de quota, com destaque para o Automóvel (+0,06 pontos percentuais), Químicos (0,04pp), Agroalimentar (0,02pp) e Metais Comuns (0,02pp). Com a União Europeia, em 2012 (Janeiro a Maio), as exportações aumentaram 3,0% e as importações diminuíram 8,2%, resultando uma redução do défice comercial intracomunitário de 36,8% e uma descida do respectivo peso nas exportações de 76,0% em 2011 para 71,8% do total, este ano.
Espanha foi o principal destino das nossas exportações de bens com uma quota de 22,5%, seguindo-se a Alemanha (13,0%:) e França (12,2%). Angola foi o principal cliente extracomunitário (5,7% das exportações totais), e o quarto em termos globais, com destaque também para os EUA (4,2% das exportações totais).
Quais as perspectivas da AICEP para o crescimento das exportações de bens este ano? Podem atingir os dois dígitos?
As actuais projecções do Banco de Portugal apontam para crescimentos reais das exportações de bens e serviços de 3,5% em 2012 e 5,2% em 2013, que compara com 7,6% em 2011.
Considerando, em termos nominais, e na óptica das Contas Nacionais, que o crescimento global das vendas ao exterior foi de 13,4% em 2011, e a actual tendência evolutiva das exportações de bens e serviços (7,1% até Abril), encaro de forma positiva, mas cautelosa, o ritmo e crescimento das nossas exportações. Temos que enquadrar a nossa actuação numa dupla perspectiva: por um lado, num quadro de abrandamento europeu e, por outro, na nossa capacidade de penetração em novos mercados. As exportações continuarão, contudo, a ser o principal motor da economia nacional.
Que países fora da UE estão a comprar mais a Portugal?
Angola, China e EUA, com crescimentos acumulados em valor nos primeiros cinco meses do ano de 293 milhões de euros, 254 milhões e 198 milhões, respectivamente, foram os mercados que mais contribuíram para o crescimento das exportações globais portuguesas.
No seu conjunto, os mercados extracomunitários contribuíram com 6,7 pontos percentuais (pp) para o aumento global das exportações, mais do dobro da União Europeia (2,3 pp). O mercado comunitário representa 71,8% das nossas exportações de bens, e o extracomunitário 28,2%, o que significa que a estratégia de diversificação de mercados está a dar frutos.
Os únicos sectores que tiveram um desempenho negativo foram dois tradicionais: papel/celulose e têxteis. Tem uma explicação para este fenómeno?
Os crescimentos das exportações de pastas celulósicas e papel e de matérias têxteis foram, respectivamente, de -1,9% e -4,0% em termos homólogos, com uma quebra em valor agregada que ascendeu a perto de 48 milhões de euros. Estes dois sectores exportam 76% e 73% do total, respectivamente, para a União Europeia, que tem manifestado uma taxa de crescimento para as nossas exportações inferiores à das extracomunitárias.
Ainda assim, não são quebras significativas, sendo de referir que o sector das pastas celulósicas e papel registou crescimentos de 41% em 2010 e 5% em 2011, enquanto o das matérias têxteis 13% e 10% nos mesmos períodos.
É uma tendência relevante ou, sendo nova, a exportação de ouro tem um peso residual?
A exportação de ouro registou aumentos significativos em 2010 (+112%), 2011 (+140%) e 2012 (+98%), valendo nos primeiros cinco meses deste ano 1,7% das nossas exportações totais, que compara com 1,2% em 2011, 0,6% em 2010 e 0,0% em 2007. Em 2011, a Bélgica absorveu cerca de 60% das nossas vendas totais ao exterior deste produto e Espanha 23%.