E deste universo, segundo o AICEP, apenas 18 mil são empresas exportadoras, sendo que somente 100 empresas são responsáveis por 50% das exportações totais. Em suma, este é o ponto de partida de qualquer análise à vocação exportadora da economia portuguesa e à sustentabilidade económica de um modelo exclusivamente assente no mercado externo.
Ora, Portugal, não obstante os progressos dos últimos anos, continua a ter um sector exportador que, para além de exíguo em número de empresas, é ainda inferior (em percentagem do PIB) ao sector exportador da zona euro como um todo. Pelo contrário, no que diz respeito às importações, estamos na média da zona euro. Naturalmente, exibimos um défice comercial, em particular no comércio internacional de bens, do qual uma parte significativa se refere à dependência externa no domínio dos combustíveis. Porém, também noutros sectores se nota uma dependência extraordinária do exterior. É o caso dos produtos alimentares primários, das máquinas e bens de capital ou ainda dos bens de consumo não duradouros. Em todos estes, de acordo com dados do INE, o défice comercial deverá exceder o milhar de milhão de euros no final do ano. Tudo somado, no comércio internacional de bens, os dados apontam para um défice global de 10 mil milhões em 2012.
De resto, a economia portuguesa continua a ser uma economia de serviços, nomeadamente de turismo, que em parte compensa a fragilidade no domínio dos bens. É nos serviços turísticos que deverá ser atingido este ano um excedente comercial superior a 3 mil milhões de euros, coisa que não sucederá em nenhum outro sector da economia nacional. E associado ao turismo, há ainda os serviços de transportes que, contribuindo para a balança comercial, também revela, entre outras coisas, quão importante a TAP é para o País. Em suma, ao contrário do que habitualmente se diz, Portugal tem, sim, importantes recursos naturais - o seu clima, o seu território, a sua cultura, as suas gentes. Daí, a sua especialização internacional na "indústria" em que, sem protecção, pode competir abertamente e de igual para igual - no lazer e no bem-estar, que ocupam milhões de portugueses e milhares de micro e pequenas empresas, numa economia terciarizada e altamente fragmentada como a nossa.
Pelo contrário, é na agricultura e na indústria que sobressaem as nossas fragilidades, nomeadamente aquelas que derivam da reduzida produtividade que evidenciamos face aos nossos concorrentes externos. Porque, convém não esquecer, a produtividade por hora em Portugal representa apenas 65% da média da União Europeia. Assim, só com exportações, precisamos de um milagre! E como tal, a fim de rezar pelas exportações, nada melhor que uma ida a Fátima; afinal, o turismo religioso também é uma das nossas grandes potencialidades e também se exporta.