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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Com as candidaturas ao ensino superior quase a abrir, é o tempo certo para que as jovens estudantes pensem numa carreira em áreas tecnológicas, já que as disparidades de género persistem. O que limita o interesse das mulheres neste campo?

São muitos os fatores que limitam o interesse de raparigas e mulheres em áreas tecnológicas e condicionam as suas escolhas de carreira - preconceitos, normas sociais, expectativas pré-estabelecidas e pressão social. Tudo isto faz com que as mulheres estejam particularmente sub-representadas no ensino de disciplinas STEM (Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas) e, consequentemente, nas carreiras nas respetivas áreas. Contudo, apesar dos obstáculos impostos às jovens no mundo científico e tecnológico, são muitas as vantagens de se seguir uma carreira nestas áreas.

 

A mais óbvia é a crescente procura por profissionais qualificados num mercado onde são escassos. Devido à digitalização e ao número crescente de startups e empresas tecnológicas em território nacional, a procura por profissionais qualificados em áreas STEM disparou. De facto, a necessidade destes trabalhadores é tão grande que Portugal tem programas projetados para atrair talentos estrangeiros como o Tech Visa.

 

Segundo a pesquisa “Combater a falta de talento especializado em IT” da Robert Walters, uma consultora de recrutamento, 8 de cada 10 empresas enfrentam dificuldades para encontrar talento tecnológico especializado. Para além disso, a oferta de emprego em IT aumenta em média 38% a cada semestre. Assim, é improvável que uma jovem recém licenciada numa área STEM não encontre facilmente trabalho.

 

Para além da grande procura por profissionais, os salários também são um fator decisivo para a escolha destas carreiras. Os salários para os profissionais de IT são os que mais têm subido em Portugal, sendo das áreas mais bem pagas atualmente. Estes profissionais são os mais difíceis de contratar e têm, muitas vezes, mais do que uma oferta por onde escolher devido à escassez de profissionais no mercado português, segundo o estudo Salary Survey 2020 da Roger Walters.

 

Este estudo mostra que a área que mais vai crescer em 2020 em termos de empregabilidade para profissionais de IT é a das tecnologias de informação. As telecomunicações, computer software, internet e recursos humanos também irão crescer este ano. Indica ainda que algumas profissões vão receber os aumentos salariais mais significativos: a área dos dados e analítica, segurança e ainda desenvolvimento. Por exemplo, um data scientist, que ganha entre 50.000 e 60.000 euros brutos por ano, pode ver o salário anual crescer até 70.000 euros este ano.

 

Para além destes benefícios atrás mencionados, existem em Portugal vários projetos com o objetivo de incentivar - e apoiar - mais jovens nas áreas STEM. Desde a She Codes, uma academia de código feminina, à  Girls in Tech, iniciativa que promove a interação entre alunas do ensino secundário e alunas do ensino superior em áreas STEM. Para além disso, também existe a Portuguese Women in Tech, uma comunidade que apresenta as mulheres portuguesas que estão a melhorar a indústria tecnológica e procura reforçar a imagem de que há espaço para elas no mundo tecnológico e empreendedor.

 

Portugal foi classificado como o 10º país com maior percentagem de mulheres empreendedoras com 30,2%, segundo o Mastercard Index of Women Entrepreneurs 2019.

 

Para Ana Xavier, gestora de investimentos na Portugal Ventures, estrutura focada em investimentos em tecnologia, turismo e ciências da vida, é importante “mostrar também histórias de sucesso das mulheres, promovendo modelos positivos”. Em Portugal não falta talento feminino e são muitos os exemplos de mulheres que construíram carreiras de sucesso nas áreas STEM em Portugal. Estes são alguns nomes de portuguesas que têm vindo a distinguir-se no setor empreendedor português (e não só) pelas suas criações inovadoras.

 

Daniela Braga

Daniela Braga fundou em 2015 em Seattle, nos Estados Unidos, a DefinedCrowd, uma startup especializada em recolha, enriquecimento, processamento e transformação de dados para sistemas de Inteligência Artificial e Aprendizagem Automática.

 

Recentemente, a empresa foi considerada uma das 100 melhores e mais promissoras empresas de inteligência artificial do mundo, de acordo com o ranking anual da consultora CB Insights. Microsoft, Google, Sony, IBM, Mastercard, são apenas alguns dos seus clientes.

 

A fundadora tem agora 41 anos e é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto, mas decidiu solidificar o percurso com o mestrado em linguística aplicada e com o doutoramento em Tecnologia do Discurso. Fez investigação, deu aulas e trabalhou na Microsoft nos Estados Unidos até fundar a DefinedCrowd.

 

Carolina Amorim

Carolina Amorim é cofundadora e CEO da EmotAI, uma startup que visa melhorar o desempenho humano através da neurotecnologia. Neste projeto, desenvolveu, em conjunto com a sua equipa, uma banda que se usa na cabeça para gravar ondas cerebrais e ritmo cardíaco de jogadores profissionais de eSports [competições organizadas de jogos eletrónicos].

 

Antes de fundar a EmotAI, Carolina obteve um mestrado em engenharia biomédica pela Universidade NOVA de Lisboa e era investigadora em computação fisiológica. Enquanto estava na universidade, liderou uma startup baseada em biossensores de papel para detetar contaminantes na água que recebeu a atenção da UNICEF. Em 2019, foi vencedora do prémio na categoria “fundadora” da comunidade Portuguese Women in Tech.

 

Cristina Fonseca 

Licenciada em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, Cristina Fonseca é cofundadora da Talkdesk, empresa classificada como o terceiro unicórnio português [empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares] que oferece soluções inovadoras para criar um “call center” na internet rapidamente.

 

Em 2016, ano em que sai da empresa, entrou na lista europeia “30 under 30” da Forbes. No início de 2019, tornou-se investidora no Índico Capital Partners, o maior fundo privado de capital de risco em Portugal. Este ano, Cristina Fonseca está entre as 50 mulheres mais influentes em tech na Europa, segundo a EU-Startups.

 

Daniela Seixas

Daniela é médica neurorradiologista, professora afiliada da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e membro da Comissão Nacional para as Tecnologias de Informática na Saúde da Ordem dos Médicos. Doutorada em neurociências, cofundou em 2016 a Tonic App, uma startup de saúde digital. Atualmente, a Tonic App conecta médicos e providencia ferramentas digitais úteis para o trabalho clínico e já está disponível em Espanha, França e Reino Unido.

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