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Falta de mão de obra e subida do salário mínimo desviam produção para Marrocos, avança novo presidente da ATP em entrevista ao Negócios.

A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) assinalou uma quebra súbita de 12,7% nas exportações de têxteis e vestuário, no mês de junho. Fechou o primeiro semestre com 2,684 mil milhões de euros, uma redução de 1,6% em comparação ao ano semestre anterior. Mas o presidente da ATP, Mário Jorge Machado, rejeita, em entrevista ao Negócios, a necessidade de um plano de salvação para o setor.

 

A falta de mão-de-obra é um dos problemas referenciados pela Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, que adianta que as empresas portuguesas estão a recrutar trabalhadores no Nepal, Índia, Paquistão e Bangladesh, de forma a atenuar a falta de mão-de-obra e para combater a falta de especialização. Costureiros, operadores de máquinas e outros perfis para tinturaria e acabamentos são alguns dos perfis procurados, avança Mário Jorge Machado, o novo presidente da ATP, ao Jornal de Negócios.

 

“A solução ideal era haver mais portugueses que quisessem trabalhar. Não havendo, é trazermos pessoas do estrangeiro. A imigração é outra das opções. É já bastante utilizada na agricultura, mas também já há algumas empresas têxteis a trazer pessoas da zona asiática para começarem a trabalhar cá”, refere o novo presidente da ATP.

 

Segundo Mário Jorge Machado, estes são alguns dos países asiáticos em que várias indústrias têxteis de média e grande dimensão estão a recrutar trabalhadores para atenuar a falta de mão-de-obra neste setor, que contabiliza cerca de seis mil empresas ativas e que assegurava 138 mil empregos diretos no final de 2018.

 

Subida do salário mínimo desviam produção para Marrocos

 

O aumento dos custos salariais nos últimos anos, pressionado pela subida do salário mínimo, está a levar cada vez mais empresas a desviar parte da produção ou a criar estruturas industriais no norte de África. O líder da ATP adianta que “o aumento dos custos salariais nos últimos anos, pressionado pela subida do salário mínimo, está a levar cada vez mais empresas a desviar parte da produção ou a criar estruturas industriais no norte de África”, refere.

 

No entanto, o responsável acredita que o segundo semestre será melhor ao nível das exportações do setor e rejeita a necessidade de planos de salvação para o setor têxtil. “Não precisamos de planos de salvação. Precisamos, isso sim, de um contexto e de uma legislação que nos permita sermos mais competitivos e flexíveis”, disse na mesma entrevista, acrescentando que “a legislação laboral aprovada há dias no Parlamento vem exatamente no sentido oposto ao que o tecido económico e os portugueses precisam”.

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