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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO




ATÉ 2020, Cabo Verde poderá ter 50% da electricidade que consome usando fontes de energia renovável, nomeadamente o vento e o Sol.

ta é uma das principais conclusões do estudo desenvolvido pela Gesto Energia, a única consultora portuguesa a actuar neste mercado em África. «Há muitos concorrentes internacionais a prestar consultoria e a participar activamente nos concursos do Banco Mundial ou do Banco Africano de Desenvolvimento. Infelizmente, Portugal não tinha até aqui empresas de referência que se candidatassem a este tipo de projectos», diz Miguel Barreto, director-geral da consultora e accionista maioritário, com 95% do capital.


Após conceber o plano energético de Cabo Verde, a Gesto apoiou o Governo local no licenciamento e coordenação da obra de duas das maiores centrais fotovoltaicas de África: uma com uma potência de 5 MW na ilha de Santiago e outra de 2,5 MW na ilha do Sal, ambas construídas pela Martifer Solar.


Os bons resultados deste primeiro projecto em África levaram o Executivo moçambicano a pedir à Gesto para desenhar o atlas energético do país. «Estamos numa fase inicial, mas o potencial hidroeléctrico é o principal recurso, actualmente responsável pela produção de quase toda a electricidade», explica. Até 2013, Barreto e a sua equipa de 18 técnicos vão
concluir o mapeamento das energias limpas, incidindo não só na eólica e fotovoltaica, mas também na hídrica, energia das ondas, geotermia e biomassa.


Mas a estratégia da Gesto vai para além dos PALOR «Queremos crescer na SADC e na CEDEAO», diz o antigo director-geral de Energia de Portugal, acrescentando que «Cabo Verde e Moçambique são países de referência em cada uma das comunidades regionais».


Em Portugal, a start up tem prestado serviços à Ventinvest na localização de projectos eólicos e apoio ao licenciamento. «Ao nível das sociedades de desenvolvimento temos a Hidroavelar, que detém o direito de preferência para um projecto de 500 MW de bombagem pura hidroeléctrica na região de Marco de Canavezes, e exploramos 40 kWsolares em Portalegre através de outra sociedade», explica.


Desde que nasceu, em 2008, a Gesto tem tido um crescimento contínuo: em 2011 facturou 1,7 milhões de euros e este ano espera ultrapassar os dois milhões.


TOME NOTA:
SADC: África do Sul, Angola, Botswana, Lesoto, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Seicheles, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe
CEDEAO: Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Libéria, Mali, Niger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo

Spin off da Martifer
Pouco depois de sair da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), em 2008, Miguel Barreto juntou-se à Martifer para criar a Gesto Energia, consultora internacional em projectos de energia sustentável com forte orientação para países em vias de desenvolvimento. Inicialmente, 75% do capital era do grupo liderado por Carlos Martins, o que foi «essencial para obter investimento e dar credibilidade a uma empresa nascente». Em Maio de 2011, Barreto comprou a maioria da participação da Martifer, que ficou com apenas 5%. «A alteração deveu-se à nossa mudança de estratégia para actividades de prestação de serviços e consultoria com menos sinergias com o Grupo Martifer, que decidiu f ocar-se no seu core business (construção metálica)». A Gesto detém ainda a Gesto Itália, «que desenvolve projectos de geotermia e que actualmente detém quatro concessões na região de Monte Amiatta e ainda em Larderello», uma área vulcânica activa «onde estão 8% da produção geotérmica mundial, mais do que em toda a Islândia».