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CABEÇALHO

Antigo primeiro-ministro português e antigo presidente da Comissão Europeia acredita que ou o recurso à emissão de eurobonds ou a reformulação do Mecanismo Europeu de Estabilidade seriam formas de ajudar as economias dos Estados comunitários.

O antigo presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso defende que a União Europeia deve recorrer ou à emissão de dívida comum europeia (eurobonds) ou ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) reformulado, para fazer frente à crise financeira e económica criada pelo surto epidemiológico do novo coronavírus (Covid-19).

 

“É necessário que apareça uma coordenação de ajuda orçamental. Quanto a isso seria bom que fossem eurobonds”, começou por afirmar Durão Barroso em declarações à SIC Notícias, na quarta-feira à noite, 1 de abril.

 

Contudo, a reformulação do Mecanismo Europeu de Estabilidade, criado como resposta à crise financeira de 2008, também poderia ser uma resposta de Bruxelas à crise que já começa a ganhar forma, segundo Durão Barroso.

 

“Penso que uma via é utilizar o Mecanismo Europeu de Estabilidade, que foi criado como resposta à crise. Tem de ser reformulado com alguma flexibilidade, acabando com a regra da condicionalidade, que foi criada para uma situação de desequilíbrios macroeconómicos”, disse. O antigo governante português acredita que essa reformulação seria oportuna para também “acabar com o estigma que há contra os países que vão recorrer a esse mecanismo”.

 

Durão Barroso, que desde 2016 é o presidente não executivo do banco Goldman Sachs International, entende que o recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade seria uma solução mais “pragmática” e “ainda mais rápida do que os chamados eurobonds” para responder à situação económica e financeira europeia atual.

 

O apoio desse mecanismo seria possível, “desde que o Banco Central Europeu esteja a garantir a ajuda por via monetária às economias”, salientou.

 

A ideia das eurobonds tem sido defendida por alguns países da União Europeia, como Portugal e Espanha, enfrentando a oposição de outros países como a Holanda. A diferença de opiniões levou o ministro das Finanças holandês, Wopke Hoekstra, em 26 de março, durante uma reunião do Conselho Europeu, a sugerir que a Comissão Europeia devia investigar países como Espanha, que alegam não ter margem orçamental para lidar com os efeitos da crise provocada pela pandemia da Covid-19, apesar de a zona euro estar a crescer. Uma situaçao que levou o primeiro-ministro português, António Costa, a contestar a postura holandesa.

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