Com 90 anos de existência a Soares da Costa registou em 2011 um volume de negócios de 870 milhões de euros, dos quais mais de 62% resultantes de actividade em países estrangeiros, entre os quais Angola, onde opera regularmente desde 1980, ano em que a construtora iniciou o seu processo de internacionalização.
«Com um resultado líquido de 2,4 milhões de euros, a Soares da Costa tem actualmente uma carteira de encomendas de 1,4 mil milhões de euros», afirmou o engenheiro Grade Mendes, administrador, lembrando que a empresa tem 30 anos de experiência no mercado internacional, actualmente centrado nos mercados com elevado potencial de crescimento, como Angola, Moçambique, Estados Unidos e Brasil.
O volume de negócios internacional atingiu os 545 milhões de euros no ano passado e o mercado angolano representou 37% do total, um peso quase igual ao de Portugal em termos de facturação. Angola representava ainda em Dezembro de 2011 33% do total da carteira de encomendas da construtora. As principais áreas de actuação da Soares da Costa são o negócio das concessões, imobiliário e serviços de energia.
Angola cresce a um ritmo veloz, tendo uma das economias com maior crescimento em solo africano, procurando aproveitar a paz e estabilidade política para se desenvolver económica, cultural e socialmente. Grade Mendes acredita que «o sector da construção protagoniza grande parte das mudanças de um país que recebe de braços abertos a experiência e saber acumulados de quem chega dos quatro cantos do mundo».
A presença do Grupo Soares da Costa em Angola conta com mais de três décadas de história. Actualmente, o grupo tem cerca de 2200 colaboradores no país. Em 1980 o grupo assinou o primeiro contrato de cooperação com uma empresa local para a construção do Estádio da Cidadela Desportiva de Luanda e um ano depois participava na construção da Base de Transportes da Sonangol e ainda na construção das instalações de apoio à actividade petrolífera da ELF no Soyo, na província do Zaire, onde se está agora a erguer o projecto do gás natural.
«Esta experiência tem vindo a ser reconhecida pelo mercado angolano, onde a empresa tem vindo a desenvolver novos projectos e a reforçar a estrutura de recursos humanos a operar no país», afirma Grade Mendes.
«Em Angola serão mais competitivas as empresas portuguesas, de qualquer sector de actividade, com capacidade de investimento adequada à dimensão dos desafios do mercado, dispostas a adoptar práticas de mercado e processos de negócio ao nível do seu melhor know-how, contribuindo de modo muito activo para o processo de crescimento e modernização da economia», explica Grade Mendes.
Angola é hoje uma economia em franca expansão, apoiada na produção de matérias-primas, no investimento crescente na produção nacional, em todos os sectores, e na disciplina orçamental e financeira.
Grade Mendes conta que «a estratégia da Soares da Costa para o mercado angolano visa a plena participação no crescimento do esforço de investimento no país, tanto público como privado, no todo nacional, baseada na crescente capacidade de decisão e intervenção da estrutura local, no reforço de meios e na expansão sustentada do negócio, sectorial e geográfico». Ainda as sim, e apesar das potencialidades, «não deixa de ser um mercado que apresenta características muito particulares», recorda o responsável. Por outras palavras, é fundamental «o relacionamento e cooperação eficaz com as entidades e com os actores económicos locais».
Para Grade Mendes, «a estrutura de suporte logístico das actividades e o recrutamento, formação e, sobretudo, a retenção de quadros locais qualificados são algumas das complexidades que se apresentam no mercado de Angola e sobre as quais é urgente reflectir e arranjar soluções».
Para dar uma ideia muito concreta do papel importante do grupo Soares da Costa na reconstrução de Angola, basta olhar para os números. Só entre 2008 e 2011, a empresa construiu um número significativo de infra-estruturas, envolvendo 1,3 milhões de toneladas de betão e 65 mil toneladas de aço e erigiu os dois edifícios mais altos do país, a Torre Ambiente e Edifício do BESA. com 113 metros de altura.
Actualmente, entre as principais obras em curso estão a nova sede do INE, o Shopping Fortaleza, o Museu de Ciência e Tecnologia e a Torre do 1º Congresso.