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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Internacionalização: As exportações online são cada vez mais relevantes a nível global mas ainda têm uma expressão muito reduzida em Portugal. Por isso, aumentam os esforços para que o seu crescimento seja uma realidade. Não há volta a dar...

Antes de mais, fazemos-lhe uma pergunta: em que formato está a ler este jornal? É bem possível que o esteja a fazer em papel enquanto está sentado numa qualquer esplanada. Mas também é cada vez mais provável que estas linhas cheguem até si por intermédio de um telemóvel, computador ou tablet. Até porque a transformação tecnológica em Portugal resultou na abertura rápida por parte do consumidor a novas valências digitais. Por isso fica aqui uma outra questão: porque é que ainda utilizamos e exportamos a um ritmo pequeno no comércio online? Porque durante muito tempo “o mercado não se preparou para a mudança de paradigma”. Quem o diz é o consultor e professor da Porto Business School, Pedro Barbosa, que não tem dúvidas de que “temos um e-commerce menos desenvolvido do que o dos nossos congéneres europeus”.

 

Ao contrário dos dados mais recentes que, segundo o especialista, colocam a média europeia de consumidores digitais na ordem dos 70%, em Portugal esse número ronda os 50%, e Pedro Barbosa acredita que ainda há muito por mudar. Os “sites portugueses estão muito abaixo das plataformas internacionais”, aponta, o que é um paradoxo quando “o mercado online deve ser o principal mercado motor da exportação nova”. E se o objetivo é que as exportações cheguem aos 50% do PIB durante a próxima década, as exportações digitais estão condenadas a ser um fator essencial dessa meta. As empresas têm que olhar para a internet “como uma oportunidade adicional na exportação e de chegar a novos mercados”, garante o presidente da AICEP. Luís Castro Henriques, ressalvando que se trata de um sector que, pelo menos no caso português, ainda tem pouca expressão: “A exportação online é um fenómeno que não mexe com a balança comercial.”

 

Só que já devia mexer. Estamos a falar de um mercado que se estima atinja 1,92 mil milhões de pessoas em 2019, ou seja, perto de 25% da população mundial. “É uma oportunidade muito interessante para os vendedores locais”, garante Alberto Abel Sesmero, do AliExpress. O gigante chinês do retalho online é a plataforma de e-commerce que movimenta mais consumidores em Portugal — num total de 1196 milhões de pessoas de acordo com um ranking da Marktest — e o responsável acredita que “não é preciso ter produção em larga escala para vender” neste mercado. Ou seja, é possível através das vendas online “alargar a base exportadora”, como acredita o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

 

Consumidor preparado
O que não é sinónimo de apostar aqui todas as fichas sem ter uma estratégia bem definida. É mesmo o primeiro aspeto do plano de cinco pontos defendido por Pedro Barbosa para preparar a entrada nas exportações online (ver infografia) e um elemento essencial para chegar ao “ecossistema perfeito para o crescimento”. Com a certeza de que “o consumidor está preparado para essa migração”.

 

“Ainda está tudo por fazer”, atira o diretor executivo da Ernst & Young, Sérgio Alves Ferreira, para quem “estes dois mundos, o físico e o digital, mudaram e complementam-se”. Parte do problema é que em Portugal o “ADN empresarial ainda tem o online muito longe das prioridades das empresas”, sem esquecer que continuamos sem ter “o mesmo poder de compra de outras geografias”. Estamos perante uma área em que se a expansão é “mal feita, pode destruir boa parte de negócio”, por isso, pede-se uma mistura entre cautela e urgência num processo que estará sempre dependente da entrada em força das PME.

 

Papel das PME
As pequenas e médias empresas compreendem o grosso do tecido económico português e, como tal, o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, aproveitou a 2ª Conferência Exportar Online (organizada pela AICEP com o apoio do Expresso) para anunciar uma linha de financiamento de €40 milhões para as empresas que queiram vender no universo digital. “É nas PME que as falhas de mercado são maiores”, defende o governante, que vê aqui uma oportunidade de “responder ao embate” e ao desafio da mudança de mentalidade das pessoas.

 

“Como de costume, começámos tarde” no campo da digitalização do retalho, sustenta Luís Avides Moreira. “O que não quer dizer que agora não o possamos fazer bem” na opinião do administrador-adjunto da Ramirez. Para Pedro Barbosa, o número de €40 milhões “ainda é curto”, mas pode representar “um sinal importante neste processo” de crescimento do e-commerce, que estima que em Portugal vá subir “15% a 20% nos próximos anos”. Nas palavras de Sérgio Alves Ferreira: é “como tentar ir para uma praia e parar uma onda”. Não vai parar.

 

O QUE VALE O COMÉRCIO DIGITAL

24,2%
foi quanto o comércio online cresceu em 2018, de acordo com dados do eMarketer, que revelam que as vendas nesse ano ultrapassaram os €2,5 mil milhões. A China é o maior mercado mundial, com vendas acima de €1,3 mil milhões

 

600
euros é quanto os portugueses gastam em média a fazer compras online em 2018, segundo o Observador Cetelem, o que significa um aumento de €60 em relação ao mesmo período do ano anterior

 

1
vez por mês é quanto 31% dos consumidores mundiais vão à internet para adquirir algo, de acordo com o Statista, enquanto 20% das pessoas fazem-no uma vez por semana

 

37%
da população portuguesa fizeram compras digitais em 2018, revelam os dados do INE. Já o barómetro e-shopper, da DPDgroup, aponta que só 9,4% do total de compras são feitos online

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